Sarah Mohn
Goiânia – Pré-candidato pela terceira vez à prefeitura de Goiânia, o deputado federal Fábio Sousa (PSDB) não esconde o receio de ter que abrir mão, novamente, da participação na eleição majoritária da capital. Em entrevista ao jornal A Redação, ele pontuou que, desde 2008, tem interesse em disputar o comando do Paço Municipal, mas afirmou que não é “inconsequente” e que não está disposto a se desgastar dentro da legenda para viabilizar sua pré-candidatura.
“Agora, é minha terceira apresentação. Mas não vou a ferro e fogo. Eu brinco que gato escaldado tem medo de água fria. Eu já passei por um processo assim e, chegando perto da convecção, fui retirado. Eu não quero passar por esse desgaste de novo. Não sou inconsequente naquilo que estou propondo, sou muito pé no chão”, declarou.
O tucano criticou o prazo estipulado pelo deputado federal Giuseppe Vecci, que também é pré-candidato do PSDB à prefeitura, para definição do nome do partido que entrará no pleito de 2016. De acordo com Vecci, janeiro seria o mês limite para o ninho tucano afunilar a escolha do pré-candidato.
“Ter vontade é uma coisa, agora conseguir é outra história. Eu acho que o melhor é o consenso. Quando você não tem consenso, a melhor forma de resolver é com prévias. A minha vontade é que haja consenso. Mas não depende só da nossa vontade. Vivemos uma crise nacional que precisa ser priorizada. Temos uma problemática interna partidária que precisa se resolver também. Não dá para a gente estabelecer prazos assim”, disse.
Ao AR, Fábio Sousa falou ainda sobre o momento político no Congresso Nacional e disse acreditar que a presidente Dilma Rousseff sofra o processo de impeachment até março do ano que vem. Condenou também os escândalos de corrupção envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).
“Para mim, os dois deveriam dar as mãos e sair, ele e a Dilma. O ideal é a Dilma e o Eduardo Cunha renunciarem, mas isso não vai acontecer”, falou.
(Foto: Adriana Marinelli/ A Redação)
Confira a íntegra da entrevista:
Jornal A Redação: O senhor disputa com o deputado Giuseppe Vecci a viabilização de pré-candidatura pelo PSDB à prefeitura de Goiânia. Como está essa disputa interna?
Fábio Sousa: Quando o governador trouxe a informação, há uma ou duas semanas, de que o Jayme (Rincón) não seria candidato e que o Waldir (Soares) tem a intenção de sair do partido, ficamos eu e o Vecci como pré-candidatos. É bom frisar que estamos vivendo um momento turbulento no Brasil e, tanto eu quanto do deputado Vecci, temos responsabilidade como deputado federal e vamos priorizar nosso mandato, até melhorar o clima em Brasília.
AR: O deputado Vecci disse que pretende resolver essa questão interna até meados de janeiro.
Ter vontade é uma coisa, agora conseguir é outra história. Eu acho que o melhor é o consenso. Quando você não tem consenso, a melhor forma de resolver é com prévias. A minha vontade é que haja consenso. Mas não depende só da nossa vontade. Vivemos uma crise nacional que precisa ser priorizada. Temos uma problemática interna partidária que precisa se resolver também. Não dá para a gente estabelecer prazos assim.
AR: O senhor está disposto a retirar sua pré-candidatura para chegar a um consenso?
Não, eu não retiro a minha pré-candidatura. Ela está posta. Mas nesse final de dezembro, janeiro e fevereiro qualquer deputado federal vai ter que colocar a cabeça em Brasília. A situação lá está realmente de mal a pior.
AR: Por que o desejo de ser prefeito de Goiânia?
Eu já quis ser candidato a prefeito de Goiânia em 2008. Agora, é minha terceira apresentação. Mas não vou a ferro e fogo. Eu brinco que gato escaldado tem medo de água fria. Eu já passei por um processo assim e, chegando perto da convecção, fui retirado. Eu não quero passar por esse desgaste de novo. Não sou inconsequente naquilo que estou propondo, sou muito pé no chão. Tenho um projeto para a cidade, conheço Goiânia, fui vereador em Goiânia, duas vezes deputado estadual muito bem votado na capital. Eu sei que o deputado Vecci tem um apreço maior na cúpula do partido do que eu. Agora, eu também vou buscar o apoio da base, ninguém faz campanha sem base. Eu vou tentar conquistar pessoas na cúpula e vou atrás da base. Não se faz campanha só com a cúpula.
AR: O fato do senhor representar um segmento evangélico não limita sua candidatura?
Eu não sou representante de um segmento evangélico. Eu sou evangélico e tenho uma ação ministerial, e isso eu não abro mão e nunca neguei. Tanto é que eu não sou eleito só pelo segmento evangélico. 80% dos votos que eu recebi são da grande Goiânia. Não tem como dizer que foi só evangélico que votou em mim. A gente não pode esquecer que eleição majoritária é diferente de eleição proporcional. Não podemos discutir religião na eleição majoritária. Na eleição majoritária se discutem problemas da cidade e quem tem capacidade para resolvê-los, independente de religião.
AR: Quais os principais problemas de Goiânia na sua opinião?
Goiânia está vivendo muitos problemas, que são até difíceis enumerar.
AR: A gestão do prefeito Paulo Garcia é falha?
Eu faço parte da grande maioria dos goianienses que está descontente. Essa é uma das piores administrações que já passaram pela cidade. Goiânia tem um trânsito que está cada vez mais estrangulado, tem problemas com transporte coletivo. Não adianta fazer linha especial de ônibus, quando o ônibus não tem qualidade. O sonho de quem anda de ônibus vai continuar sendo comprar um carro. Não adianta fazer linha vermelha para bicicleta se você não oferece segurança para quem anda de bicicleta. Não há uma ação cultural em Goiânia para você levar seus filhos para passear. Não tem nada que possa servir de serviço cultural. São “n” problemas.
AR: O senhor acha que a base vai ter vários candidatos?
Todos os partidos têm direito de ter suas candidaturas. Não sei se é bom. Vai ter acontecer, não tem como fugir disso. Vamos ter quatro candidatos da base, devemos ter um candidato do PT, um do PMDB. Ao todo serão no mínimo seis candidatos com chances reais de disputar a eleição. Com esse retrato, qualquer um pode ganhar a eleição, desde que se apresente como uma pessoa que consegue resolver os problemas da cidade, uma pessoa que pensa no futuro. A pessoa que conseguir apresentar uma proposta com os olhos no futuro eu tenho certeza que vai conseguir se destacar.
AR: O PSDB pode ser vice de outro partido da base?
Com todo respeito que eu tenho pelos partidos da base, eu acho que não é a hora para o PSDB se apresentar como vice. A última vez que o PSDB apresentou candidato a prefeito de Goiânia foi em 2000. São 16 anos sem candidato. Há um clima muito grande no Brasil por renovação. O governo da Dilma contribuiu muito para isso, por ser muito ruim, por ser o pior da nossa história. Quem conseguir trazer a renovação para si vai se destacar.
AR: O senhor acredita que o ex-prefeito Iris Rezende ainda tem grande força na capital?
Pela sua historia, querendo ou não, ele é ex-governador, ex-senador e ex-prefeito. As pesquisas apontam que ele tem um número de votos, mas o teto dele é igual ao que ele começa. Ele vai ter uma dificuldade nesse sentido de mostrar renovação, porque renovação não quer dizer idade, quer dizer ideias e mudanças de atitudes. Eu acho que com seis candidatos todo mundo vira japonês. E não se pode desconsiderar ele jamais.
(Foto: Adriana Marinelli/ A Redação)
AR: O senhor acredita que a presidente Dilma Rousseff sofrerá impeachment?
Primeiro, o impeachment é totalmente legal. É algo previsto pela constituição e agora ninguém pode falar que é golpe. Já não poderia falar antes, porque está expresso de uma forma muito clara na Constituição, mas agora há uma ratificação da suprema corte. Segundo, vamos ter que fazer uma nova eleição, seguindo o que colocaram os ministros do STF. Então, são coisas que vão ter que mudar, mas imagino que isso vai se estabelecer dentro do prazo final, até fevereiro. Agora, cumpre-se a determinação do STF e depois vamos dizer se a presidente é culpada ou inocente. Não tem jeito de fugir disso.
AR: O senhor acredita que se desenrole rapidamente o julgamento do impeachment?
Vamos ter que reunir em fevereiro para eleger uma nova comissão. Elegendo uma nova comissão, você tem os prazos regimentais, se eu não me engano é de dez sessões, dez dias para que a presidente se defenda e cinco para o julgamento. Ou seja, vai ser um prazo de 15 sessões. Em março, deve haver a votação. Agora, há os questionamentos jurídicos que existem tanto de um lado, quanto do outro. Isso faz parte da nossa burocracia.
AR: E quanto ao processo de cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB)?
Vou votar pela cassação do Eduardo Cunha. Para mim, os dois deveriam dar as mãos e sair, ele e a Dilma. O ideal é a Dilma e o Eduardo Cunha renunciarem, mas isso não vai acontecer.
AR: Michel Temer é uma boa opção para comandar o país?
Não é o ideal, mas é o que está na linha sucessória. Eu não tenho a mínima duvida que o Michel Temer daria mais tranquilidade aos mercados e para a economia de um modo geral. A Dilma perdeu toda a credibilidade. O Joaquim Levy saiu do governo para colocar alguém que não vai ter a responsabilidade de reduzir a máquina estatal, um dos grandes problemas do Brasil. A Dilma colocou uma pessoa que, segundo ela, acredita nessa nova matriz econômica progressista. Mas de progressista o governo não tem nada, tem é de destrutiva.