Michelle Rabelo
A Agência Municipal de Meio-Ambiente está analisando pontos de alagamento na Capital durante toda a quarta-feira (4/1) para descobrir os motivos do aumento de áreas prejudicadas pelas chuvas. A ação tem início nas proximidades do Rio Meia Ponte, entre os setores Negrão de Lima e Jaó. Durante a tarde, a equipe segue para a Vila Romana.
Segundo dados da Gerência de Contenção e Recuperação de Erosão e Afins do órgão, foi observado um aumento no número de áreas afetadas. Antes do período de chuva o número era de aproximadamente 80, o que agora gira em torno de 160. Destas, 29 já haviam sido cadastradas pela Amma nos anos de 2010 e 2011.
A causa mais provável para este aumento, é o depósito de resíduos (materiais de construção civil, papéis e plásticos) nas calçadas e nas ruas prejudicando o escoamento da água, feito através das chamadas bocas de lobo. As regiões inundadas possuem pontos de escoamento, mas são prejudicadas pela falta de concientização da população, que armazena o lixo de forma inadequada ou joga os resíduos diretamente nas vias. Já as regiões alagadas são aquelas que não possuem pontos de escoamento da água, sendo consideradas despreparadas para enfrentar os períodos mais críticos da chuva.
Como essa é uma ação apenas corretiva, para os responsáveis pelo lixo, entulho ou resíduo encontrados em locais que possam prejudicar de alguma forma o escoamento da água, será feita apenas uma notificação. Caso haja nova ocorrência no mesmo local, o responsável será multado.
De acordo com a diretora do departamento de de Gestão Ambiental da Amma, Celma Alves, o tipo de solo das áreas alagadas também contribui para a retenção da água. As regiões dos córregos são facilmente encharcadas e o solo transportados sem dificuldade pela chuva. “Algumas áreas que serão analisadas possuem solo do tipo hidromórfico, ou seja, frágil por apresentar uma maior quantidade de água em sua composição ocasionando com maior frequência os alagamentos”, pontua.
O posicionamento da Agência é de que a limpeza precisa ser tradada como uma tarefa conjunta. O condicionamento correto do lixo, atenção na hora de colocar os resíduos na rua, respeito aos horários da coleta para que o lixo não fique exposto às chuvas são medidas, que, segundo Celma, são possíveis de serem realizadas por qualquer pessoa e de extrema importância para preservar o bom fluxo das águas.
“A população tem um papel fundamental nesse processo, pois precisa haver uma conscientização da importância de destinar corretamente os resíduos gerados”, explica. Segundo dados da Amma, a desobstrução das redes pluviais e das bocas de lobo custam ao poder público cerca de R$ 1 milhão por ano. A recuperação das redes danificadas não entra nesse cálculo.