Larissa Lessa
Pais, preparem os bolsos: começou a temporada de compra de material escolar. Pesquisa divulgada nesta terça-feira (3/1) pelo Procon Goiás mostrou que quem está disposto a pesquisar pode encontrar variações de preço de até 500% em um mesmo produto. Esse foi o caso da cola líquida branca de 110 gramas da marca Tenaz, que foi encontrada entre R$ 1 e R$ 6 nas papelarias de Goiânia.
A pesquisa foi feita entre 27 de dezembro e segunda-feira (2/1) em 17 estabelecimentos comerciais da capital, 10 deles na região central. O gerente de pesquisa e cálculo do Procon, Gleidson Tomaz, explica que a escolha da região foi proposital. “É uma forma de incentivar o consumidor a pesquisar mais, pois os estabelecimentos na região central são próximos um do outro”, afirma. Na pesquisa deste ano foram incluídos 71 produtos cobrados nas listas escolares preparadas pelos colégios. A comparação de preços foi feita entre itens da mesma marca e modelo.
Entre as principais variações, está o preço do lápis preto número 2, que foi encontrado a R$ 0,60 e R$ 2,45, uma diferença de 308,33%. O preço da borracha branca variou 263,64%, indo de R$ 0,11 a R$ 0,40. Já a lapiseira 7 mm ficou entre R$ 1,70 e R$ 4, diferença de 135,29%.
Economia
Se para alguns pais economizar alguns centavos não justifica o tempo gasto na visita às papelarias, o Procon fez uma simulação de compra de 11 itens tradicionais da lista de material escolar, como caderno, lápis preto, caixa de lápis de cor, cola líquida e caneta. Se forem considerados os menores preços encontrados pelos pesquisadores, os produtos podem ser comprados a um custo total de R$ 50,98. Agora, se somente os preços maiores forem levados em conta, a lista pode sair a R$ 107,94, ou seja, uma diferença de R$ 111,73%.
Dos 71 produtos pesquisados pelo Procon, 39 também tiveram seus preços pesquisados no início de 2011. O aumento anual de preços foi verificado em 31 dos itens, como a caixa de lápis de cor grande da Bic, que teve o preço aumentado em 27,96%. O reajuste dos valores também foi constatado para produtos como a borracha branca Mercur (25,15%), o lápis preto n. 2 (22,51%). A boa notícia para os consumidores é a queda do preço de alguns produtos, como o plástico apra encapar Liso Mercur (-20,32%) e a Lapiseira Faber Castel Poly Teen 7 mm (-23,15%).
Na hora de pesquisar, o consumidor também deve ficar de olho nas promoções feitas pelos estabelecimentos. “Em muitas vezes, o consumidor vê uma promoção que é só um chamariz para entrar na loja. No fim das contas, ele acaba levando outros produtos que estão mais caros”, afirma Gleidson Tomaz, para quem a principal dica é fracionar a compra e pesquisar os preços em pelo menos três papelarias. Outra sugestão é localizar, nos materiais escolares que restaram do ano anterior, aqueles que podem ser reutilizados, como tesouras, lápis e canetas.
A pesquisa divulgada pelo Procon também pode servir como parâmetro para os consumidores que não podem comprar nos estabelecimentos listados. “Olhando a pesquisa, você tem uma ideia dos preços praticados e, mesmo que vá comprar na papelaria do bairro, vai saber se um preço está ou não acima do de mercado”, explica o gerente. A pesquisa completa pode ser acessada no site do Procon Goiás.
Abuso
Os pais também devem estar atentos aos produtos cobrados na lista de material escolar. O gerente de pesquisa e cálculo do Procon lembra que as escolas não podem cobrar na lista a compra de produtos de uso coletivo, como papel higiênico, cartucho de tinta para impressora e copo descartável. “Os itens somente podem ser solicitados se estiverem diretamente ligados ao processo pedagógico e se forem de uso exclusivo do aluno. Esses produtos coletivos já têm a cobranca embutida na mensalidade”, alerta Gleidson Tomaz.
Caso o pai identifique irregularidades na lista, a recomendação do Procon é que os itens em desacordo com a orientação do órgão de defesa do consumidor sejam desconsiderados. Se a escola insistir na compra, o pai ou responsável pode fazer uma denúncia pessoalmente no Procon ou pelo telefone 151. Outro alerta: as escolas também não podem determinar marca e modelo dos produtos ou indicar estabelecimentos para a compra.
Matrícula
Outro cuidado no início do ano é com a matrícula dos alunos nas escolas. O reajuste do valor da mensalidade é considerado abusivo quando supera, sem justificativa, a inflação do ano. O Procon Goiás já notificou desde dezembro de 2011 mais de 30 escolas para que apresentassem uma planilha de custos que justifique o reajuste da mensalidade.
As escolas tiveram dez dias para entregar o documento aos fiscais, que estão analisando as contas para verificar se os aumentos são abusivos. Caso seja comprovado o abuso, as escolas podem ser multadas. O valor vai de R$ 300 a R$ 6 milhões.