A Redação
Goiânia – O deputado federal Thiago Peixoto (PSD-GO) será o presidente da Frente Parlamentar Mista do Brasil Central. A criação da frente foi confirmada pela presidência da Câmara dos Deputados na última terça-feira (20/10) apenas um dia depois de ter sido protocolado o pedido de criação. “A tramitação foi muito rápida. Estamos animados. Agora é trabalhar para que possamos ter apoio para as políticas públicas do bloco de seis governadores do Movimento Brasil Central”, explicou Thiago.
Foram coletadas mais de 200 assinaturas de deputados federais e senadores para apoiar criação da frente. Após a conferência oficial, foram reconhecidas 198 assinaturas, acima do número necessário para formalização. Thiago, que foi autor da ideia e do requerimento, será o presidente e a tendência é que seu colega de partido Rogério Rosso (DF) ocupe a vice. “Temos um bom trânsito e isso vai facilitar os trabalhos”, explica o goiano. Na ausência de Thiago, Rosso será responsável pela frente.
Thiago se licenciou da Secretaria de Gestão e Planejamento de Goiás (Segplan) na semana passada para reassumir o mandato, criar a frente e apresentar emendas parlamentares ao Orçamento da União. “As emendas apresentadas foram para as áreas de Saúde, Educação e Cidades”, explicou. Ele deve retornar à titularidade da secretaria na semana que vem. “A passagem por Brasília foi rápida, mas muito proveitosa”, acrescentou.
O Movimento Brasil Central (MBrC) foi criado em julho deste ano, em Goiânia, e conta com a presença os governadores de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia. O bloco já está consolidado e aprovou a criação do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central. “É o primeiro do tipo no Brasil e vai ser responsável por formular e executar políticas públicas de interesse da região. Criamos um novo mecanismo de desenvolvimento regional”, explica Thiago Peixoto.
Ele acrescenta que, além de buscar investimentos públicos, o consórcio também vai se movimentar no sentido de captação de recursos junto à iniciativa privada, seja por meio de concessões ou de parcerias público-privadas (PPP). “É claro que intenção é se articular para garantir recursos federais e mudar a lógica de funcionamento das agências de desenvolvimento regional, as que administram os fundos constitucionais, mas os governadores também vão se movimentar em busca de parcerias fora da esfera pública”, reforça o goiano.
A Frente Parlamentar Mista do Brasil Central, nesse sentido, vai servir como um instrumento representativo do bloco dentro do Congresso. “Existem hoje dezenas de frentes. No entanto, esta tem um perfil diferente porque existe uma forte articulação dos estados. A expectativa é que ela seja a voz da região dentro do parlamento. Temos um peso significativo, pois, em tese, contamos com o apoio das bancadas de cinco estados e do DF na Câmara dos Deputados e no Senado. Um diferencial importante é que o bloco é apartidário. Nesse sentido, ninguém será contra uma política pública que favorecerá toda a região”, acrescenta Thiago Peixoto.
Integração
O Movimento Brasil Central (MBrC) é formado por Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia. A ideia para formação do bloco surgiu de uma conversa, no final do ano passado, entre Thiago Peixoto e o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger durante uma visita do goiano aos Estados Unidos.
“Fui à Universidade de Harvard falar sobre os avanços educacionais goianos enquanto estive à frente da Secretaria de Educação (2011 a 2013). Encontrei-me com o professor Mangabeira e descobrimos uma ideia em comum: a possibilidade de criação de uma agenda de desenvolvimento a partir da região central do Brasil”, relembra Thiago.
Mangabeira, já ocupando a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (cargo que deixou no mês passado), foi a Goiânia em meados de junho deste ano e, durante um evento do governo, fez o desafio ao governador Marconi Perillo (PSDB-GO): ele deveria liderar um movimento regional de desenvolvimento. A provocação foi aceita e, assim, o 1º Fórum dos Governadores do Brasil Central ocorreu em Goiânia, já no início de julho.
De lá para cá, ocorreram reuniões em Cuiabá (agosto), Palmas (setembro) e Campo Grande (outubro). A próxima reunião será em Brasília, nos dias 10 e 11 de novembro, quando será escolhido o presidente do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central, cuja sede funcionará em Brasília, em um prédio do Banco de Brasília (BRB). A presidência será ocupada por um dos governadores do bloco. A possibilidade é grande de que o escolhido seja Marconi Perillo. A expectativa é que a Frente Parlamentar Mista do Brasil Central seja lançada oficialmente nessa oportunidade.