A Redação
Goiânia – São várias as programações para comemorar o aniversário de Goiânia. Em homenagem à data especial, a Orquestra Filarmônica de Goiás traz, nesta quinta-feira (22/10), às 20h30, no Centro Cultural Oscar Niemeyer, um concerto especial com os pianistas Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini. A regência será do maestro convidado Marcelo Ramos e a entrada é franca.
Acompanhados pela Filarmônica, eles vão executar o Concerto para Dois Pianos e Orquestra do compositor francês Poulenc. A obra é uma espécie de homenagem a Mozart, ídolo de Poulenc, por isso possui movimentos lentos, que lembram as características mozartianas, conforme foi divulgado pela Orquestra.
Serão apresentadas ainda as composições “Concerto para Cordas e Percussão”, de Guarnieri, e a “Sinfonia nº 7 em Lá Maior”, de Beethoven.
21º Concerto (22 OUT, 20h30, Centro Cultural Oscar Niemeyer) (c. 71’)
M. Camargo Guarnieri: Concerto para Cordas e Percussão (15’)
F. Poulenc: Concerto para Dois Pianos e Orquestra em Ré Menor (20’)
L. V. Beethoven: Sinfonia No. 7 em Lá Maior, Op. 92 (36’)
Em 1970 surge no Recife um movimento de valorização das fontes culturais da região, sob o nome de Movimento Armorial. Inspirado principalmente por Ariano Suassuna, entre as estratégias da ação estava a montagem de uma orquestra, a Orquestra Armorial de Pernambuco. A orquestra passou a reunir e gravar obras existentes na região como também a estimular a criação de novas peças. Assim, em 1972, a orquestra encomenda a Camargo Guarnieri um concerto para percussão acompanhada de orquestra de cordas.
O compositor paulista, reconhecido por sua veia nacional, foi fiel à encomenda, entregando uma obra com muitos elementos da música nordestina. Contrariamente à tradição, os movimentos ganham nomes tipicamente brasileiros: "Vigoroso", "Jocoso". O movimento lento, "Saudoso", difere do caráter do restante da obra, já que se trata de um lento coral que Guarnieri dedica à memória de sua falecida mãe.
Instrumento solista por natureza, é raro ver o piano dividir o protagonismo. Mais raro ainda é ver dois pianos dividindo o papel de solistas em um concerto. Incomodada por essa lacuna, uma milionária mecenas das artes, a norte-americana Winnaretta Singer, fez ao compositor francês Poulenc a encomenda de um concerto para dois pianos. Poulenc entusiasmou-se com a tarefa e fez questão ele mesmo de ser um dos solistas na estreia da obra, no verão de 1932.
Em três movimentos, a obra é uma espécie de homenagem a Mozart, o ídolo de Poulenc, o que fica evidente especialmente no movimento lento, uma deliciosa releitura de um andante mozartiano. Já os movimentos rápidos são mais rítmicos, com lembranças à sonoridade das orquestras de gamelães, tão populares na Europa na época. O movimento final é uma mistura eclética de música balinesa ao estilo de Gerschwin.
A sétima sinfonia estreou em um dos mais bem-sucedidos concertos do Beethoven, em 1813, para beneficiar soldados feridos numa batalha contra Napoleão alguns meses antes. Essa obra marca o fim do ciclo iniciado com a terceira e quinta sinfonias, em que Beethoven se ocupa de Napoleão: o ciclo se iniciara laudatório, prosseguiu ameaçador e termina fúnebre mas com muita celebração pela derrota definitiva do francês. Na estreia, Beethoven, já quase totalmente surdo, afirmou ser essa uma de suas melhores obras e o segundo movimento, Allegretto, foi tão apreciado naquele concerto que teve de ser repetido pela demanda do público.
Ainda hoje é uma das partes mais conhecidas da sinfonia, frequentemente tocada de maneira independente, quase uma marcha fúnebre. O ouvinte certamente também reconhecerá o terceiro movimento, um scherzo bastante popular. No total, perpassam a sinfonia elementos de dança, vitalidade e celebração, transmitidos principalmente através do ritmo.
(Wolney Unes, Rogério Sobreira, Isabel Schneider e Jason Arnoldt)
SERVIÇO
Concerto para dois pianos
DATA: 22/10 ( quinta-feira)
Horário: 20h30
Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer
Entrada gratuita
Não é necessário retirar ingressos