Kamylla Rodrigues
Goiânia – Fernando Henrique Cardoso traça um panorama da “crise moral” que assombra o Brasil, evidenciada por escândalos de corrupção e aprofundada por decisões econômicas desastrosas em 'A miséria da política', obra que reúne 42 crônicas, escritas entre 2010 e 2015. O livro foi lançado esta semana, no Rio de Janeiro.
“Quase tudo o que foi feito nos últimos 12 anos foi anunciado como o 'nunca antes neste país'. É verdade, nunca mesmo se errou tanto em nome do desenvolvimento nacional nem jamais se roubou tanto sob a proteção desse manto encantado. Quem enganou o Brasil foi o lulopetismo. Mas a raiz dos desmandos foi plantada antes da eleição da atual presidente. Vem do governo de seu antecessor e padrinho político", disse FHC.
O livro já pode ser encontrado nas livrarias por R$ 42. A obra traz ainda quatro discursos transformados em ensaios e um artigo. Todos os textos foram selecionados por Miguel Darcy de Oliveira.
Orelha
“Em cada artigo, em cada análise, em cada julgamento moral, em cada rumo que traça para os que nele se inspiram, Fernando Henrique não abandona em momento algum a coerência de princípios, o rigor da análise e a referência ao bem público como objetivo maior. O intelectual, no autor, faz da capacidade analítica uma barreira contra o “realismo” oportunista; enquanto o político, nele, combate o voluntarismo com a força da realidade.
O leitor ficará surpreso ao vê-lo identificar-se, sobretudo, como político, e não como homem de ciência – dicotomia, atribuída a Max Weber, que não lhe cabe. Além da façanha invejável de ser referência internacional na Sociologia do Desenvolvimento e na Economia Política por seus escritos enquanto integrava a CEPAL-ILPES nos anos 1960, no Chile, aos olhos de seus contemporâneos seu maior feito é ter se tornado a principal referência da política nacional de 1993 a nossos dias. Desde então o âmago da política brasileira se organiza em função do seu legado como governante e como pensador político: entre os que lutam para preservar esse legado e os que querem destruí-lo. Estes últimos cada vez menos numerosos e com menos apoio. Se você quiser saber o porquê disso tudo, não deixe de ler A miséria da política.” (José Serra)