Adriana Marinelli
Goiânia – O muro da casa do prefeito de Cavalcante (GO), João Pereira da Silva Neto (PTC), foi alvo de quatro tiros disparados na madrugada deste sábado (22/8). A residência fica no centro da cidade e, segundo o próprio político, os disparos teriam sido efetuados por volta das 2 horas. "Eu cheguei a ouvir barulho durante a madrugada, mas pensei que pudesse ser bombinhas, nem me toquei que era no muro da minha casa", disse João Pereira ao jornal A Redação.
Segundo o prefeito, ele tomou conhecimento sobre as marcas de tiros por meio de um amigo. "Eu tomava café da manhã quando um amigo me ligou e perguntou se eu tinha visto as marcas. Foi aí que saí na rua e vi", diz. Além do prefeito, o filho, a nora, o neto dele, além da babá da criança, também estavam na casa. ninguém ficou ferido.
Prefeito João Neto (Foto: reprodução/dinomarmiranda.com)
Mesmo sem saber quem teria atirado contra sua residência, o prefeito revela que está sendo ameaçado desde 2013 e que a motivação seria política. "Foi uma clara tentativa de intimidação", completa.
"Em 2013, denunciei cinco vereadores que tentavam me extorquir, sendo que três acabaram presos", conta o prefeito, que também afirma que, desde que foi eleito, enfrenta dificuldades para ter projetos aprovados pela Câmara do município.
"Também teve uma avalanche de casos de pedofilia e estupro na cidade com o envolvimento de vereadores. Também não me calei diante disso", completa, fazendo referência às ocorrências de abuso registradas este ano, em que garotas descendentes quilombolas teriam sido vítimas de violência sexual.
Em dezembro de 2014, João Pereira Neto foi afastado do cargo de prefeito depois que vereadores alegaram que ele havia se afastado do município por período superior a 15 dias, o que é negado pelo político. Já em janeiro, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) determinou o retorno do prefeito ao cargo.
Questionado sobre como será sua atuação de agora em diante e se pensa em deixar a prefeitura, João Neto garante que não abandonará o trabalho à frente do município. "Intimidado a gente fica, mas tenho muitas responsabilidades. É uma situação difícil, mas não vou fugir dela", afirma.
"Hoje sou prisioneiro na minha cidade. Fico em casa o dia todo e só saio para ir à prefeitura. Sei que a qualquer momento posso ser surpreendido. Posso pagar com a vida, mas tenho obras e trabalho em andamento, não posso abandonar tudo que já fiz até aqui", finaliza. Segundo o prefeito, ele já teria buscado ajuda para garantir sua segurança junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado, mas que irá reforçar o pedido. O caso será apurado pela Polícia Civil (PC) de Goiás.