Mônica Parreira
Goiânia – A quase dois meses de ser inaugurada, a revitalização da Praça Cívica corre o risco de ficar sem um monumento histórico que consta no projeto original assinado pelo arquiteto Luiz Fernando Teixeira Cruvinel, o Xibiu. Trata-se de um rolo compressor utilizado para construir a primeira rua de Goiânia, na década de 1930, e que hoje está no Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG).
(Foto: Grupoquatro Arquitetura e Urbanismo)
Xibiu explicou, em entrevista ao jornal A Redação, que já desenhava o projeto quando foi procurado pelo advogado Mário Roriz Soares de Carvalho. Ele pediu um espaço fixo para expor o rolo compressor que há décadas era guardado por sua família. “Entendi que era uma proposta interessante, trata-se de um objeto emblemático. Resolvi criar um pedestal para colocar o monumento em frente ao Museu Zoroastro Artiaga. Inclusive o espaço está praticamente pronto para recebê-lo”, diz o arquiteto.
A presença do objeto na nova Praça Cívica foi, inclusive, divulgada pela Prefeitura de Goiânia em fevereiro, quando foi assinada a ordem de serviço para as obras. “As fontes luminosas serão recuperadas e o ‘Rolo Compressor’ que abriu a primeira rua de Goiânia será relocado para a frente do Museu Zoroastro Artiaga”, diz trecho da reportagem publicada no site oficial do município. A previsão é que a obra seja entregue no dia 24 de outubro, quando a capital completa 82 anos.

(Imagem: reprodução/Prefeitura de Goiânia)
Polêmica
A controvérsia sobre o destino do monumento teve início no último dia 5 de agosto, a poucos metros de onde Xibiu projetou o espaço. Na data, o presidente do IHGG, Geraldo Coelho, convidou autoridades e imprensa para o lançamento de um pedestal na calçada da sede do instituto, que fica na esquina da Avenida 85, em frente à Praça Cívica.
Geraldo afirma que o rolo compressor foi doado por Mário ao IHGG há mais de dez anos. “Mas só agora conseguimos parceiros para construir um espaço para exposição”, enfatiza. No pedestal está ainda um segundo rolo compressor, que foi resgatado há anos por membros do instituto em um lixão no Bairro Feliz.
Xibiu (Foto: Fábio Lima/A Redação/arquivo)
Xibiu confirmou durante a entrevista que tinha conhecimento de que o rolo compressor estava sob a guarda do IHGG. “Sabia que o objeto estava lá, inclusive guardado sem a menor importância. Pode ter sido uma falha de comunicação governamental, que não solicitou ou não oficializou a transferência do rolo compressor para a Praça Cívica. O aconteceu é que o instituto soube do projeto e imediatamente fez o pedestal como se diz ‘é meu e ninguém tira’”, supõe o arquiteto.
“Não critico o instituto, que tem razão em querer permanecer com os objetos doados. Só que como arquiteto, nascido na cidade e autor do projeto de revitalização, faço um apelo para que o instituto doe os rolos para a Praça Cívica”, pede ao reafirmar que solicitou diversas vezes ao poder público que firmasse o acordo por meio de um contrato. “O que não aconteceu e agora tomou esse efeito todo”.
Respostas
O presidente do IHGG disse ter participado da assinatura da ordem de serviço para a revitalização da praça. Daquela ocasião até o momento, não foi oficialmente procurado por ninguém para tratar sobre o destino dos rolos compressores.
Geraldo Coelho mostra placa que registra doação feita por Mário (Foto: Mônica Parreira)
“Estou sabendo agora por vocês da reportagem sobre essa polêmica”, pontua. “Como posso negociar algo que não me pertence? Os rolos compressores são do IHGG, que por sua vez é o guardião da história e da memória de Goiás, e é aqui que eles precisam ficar”, defende Geraldo.
A reportagem tentou entrar em contato com Mário, que era o proprietário do rolo compressor, mas as ligações não foram atendidas. O AR também buscou respostas na assessoria de comunicação da Prefeitura de Goiânia. Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) disse que está sendo feito um levantamento a fim de definir a destinação final do objeto.