João Unes e Sarah Mohn
Goiânia – Integrante do grupo OAB Forte há cerca de 12 anos, o atual presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag), Júlio César do Valle Vieira Machado, afirmou em entrevista ao jornal A Redação que irá apoiar Flávio Buonaduce Borges para a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), por ser ele um “excelente nome” e “a cara da OAB Forte”.
Julião, como é informalmente conhecido, fez questão de enfatizar à reportagem do AR que não existe cisão interna na chapa e que o atual presidente, Enil Henrique de Souza Filho, não será candidato à reeleição. “O que ele me disse, com lágrimas nos olhos, é que não seria candidato. Só na condição de candidato tampão. Acredito que ele não vai desmentir o que me disse olhando nos meus olhos.”
Em longa entrevista, o presidente da Casag discorreu sobre os serviços prestados pelo órgão-braço da OAB (
veja aqui); se disse “estarrecido” com os spots publicitários narrados por Enil Henrique e veiculados em duas rádios comerciais, bem como pelo site que promove a candidatura do oposicionista Lúcio Flávio de Paiva; criticou a criação de logomarca e slogan pela entidade goiana; e se emocionou ao relembrar o convite feito pelos ex-presidentes Miguel Cançado e Henrique Tibúrcio para que assumisse a presidência da Casag.
Pós-graduado em Direito Tributário (pela PUC-GO) e em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas, o advogado foi conselheiro seccional da OAB-GO, presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem (CEEO) e coordenador Nacional do Exame de Ordem Unificado da OAB, do qual é membro.
(Foto: A Redação)
Veja a íntegra da entrevista:
Jornal A Redação: Como o senhor avalia a atual gestão da OAB-GO?
Júlio César do Valle Vieira Machado: É muito cedo ainda para avaliar. Começou em fevereiro deste ano, não dá pra avaliar se houve uma mudança significativa, não vejo isso. Eu não consigo ver uma ruptura. As pessoas dizem que há uma nova gestão, eu não vejo. O principal problema dessa atual gestão é a falta repasse à Caixa.
AR: Falta transparência?
Para nós, sim. Está muito nebulosa, não recebemos informações. Até mesmo coisas corriqueiras estão sendo tolhidas, não sei por quê.
AR: O senhor disse que não enxerga ruptura. Não há cisão interna no grupo OAB Forte?
Não há cisão. O candidato da OAB Forte chama-se Flávio Borges. O doutor Enil não é candidato (à reeleição), isso é o que eu vejo na mídia. O que ele me disse, com lágrimas nos olhos, é que não seria candidato. Só na condição de candidato tampão. Acredito que ele não vai desmentir o que me disse no escritório olhando nos meus olhos.
AR: Então, o senhor irá apoiar a candidatura de Flávio Buonaduce Borges?
Eu vou apoiar o doutor Flávio Borges. Homem preparado, conhece a instituição como poucos, foi secretário-geral. No seu tempo como secretário-geral, a instituição andava muito bem. Tem junção, sabe falar, conhece os problemas da advocacia. Além de professor, é advogado. Quer dizer, Flávio Borges é realmente a cara da OAB Forte. Por isso que, em um amplo debate com a base e com os presidentes, várias lideranças jovens, formadores de opinião, todos disseram com unanimidade que Flávio Borges é um excelente nome. Por que a OAB Forte não deve querer ele como presidente? Já deveria ter sido na segunda gestão do doutor Henrique (Tibúrcio). Era uma vontade de grande parte do grupo.
AR: O senhor vai compor a chapa de Flávio Buonaduce? Gostaria de continuar sendo presidente da Casag?
Se eu puder continuar desenvolvendo um trabalho como esse, óbvio que me dará muito prazer. Mas já disse ao doutor Flávio que ele pode contar comigo dentro e fora da chapa. Esse é o espírito da OAB Forte. Nós, que participamos e chegamos a sentar na cadeira como gestores, temos esse sentimento. O advogado Forte não acredita em conceitos pessoais, ele acredita no projeto. Ele vê um interesse muito maior na advocacia do que apenas mostrar o seu nome.
AR: Qual a importância de presidir a Casag para sua trajetória como advogado?
Há mais de 12 anos eu integro a OAB Forte. Eu devo a Henrique (Tibúrcio) e Miguel (Cançado), que me aceitaram no seio da OAB Forte, uma gratidão enorme. Em um momento da minha vida pessoal, quando tive um problema de saúde significativo, um AVC, dias após eu recebi o convite para assumir a presidência da Casag. O carinho da minha família ajudou, mas aquele convite foi a lenha que fez voltar a minha saúde.
AR: Alguns apoiadores do atual presidente foram às redes sociais dizer que não houve democracia na escolha do nome de Flávio Buonaduce Borges. Como o senhor avalia essa crítica?
Acho que isso irá se acomodar com o tempo. É só questão de acomodação, como ocorreu anteriormente. Aquele que diz que não houve um debate aprofundado, é porque não foi escolhido o nome que ele queria. A leitura que eu faço é essa. Demonstração de trabalho é a melhor forma de galgar espaço. Seja qual for o nome do presidente, se for para trabalhar ele terá espaço.
AR: O senhor acredita que o atual presidente, Enil Henrique de Souza Filho, e seus diretores vão apoiar a candidatura de Flávio Buonaduce Borges?
Eu quero crer que sim, pois é a candidatura mais preparada e eu acredito que isso venha a acontecer com todos os advogados que tenham compromisso com o projeto. Pois é sem sombra de dúvida o melhor nome. Mas é importante saberem que, se não apoiarem, serão no outro dia tratados como advogados, como sempre tratamos.
AR: Nós temos visto alguns advogados serem criticados por aparentemente promoverem campanha extemporânea. Na sua opinião, há antecipação de campanha?
Sem sombra de dúvida. Eu nunca tinha visto isso antes na OAB. Uma instituição séria, uma das mais respeitadas do Brasil. Aquele que fez um site tentou colocar o nome no momento, o outro que usou spot de rádio. Isso eu nunca vi. Isso para mim é uma aberração tamanha, uma falta de respeito utilizar dinheiro da instituição. Nós sabemos que a mídia é caríssima. Eu acho uma falta de respeito, para não dizer outra coisa.
AR: Quanto ao spot de rádio, pode-se dizer que há um paradoxo, porque a mensagem alerta para advogados que fazem propaganda na mídia?
Pois é, ao mesmo tempo ele (presidente Enil Henrique) faz propaganda falando o nome. Eu estarreci. Eu não acreditei quando ouvi, até achei que não poderia ser ele, que estava havendo algum equívoco. Fere o princípio da moralidade, porque é um absurdo usar o dinheiro da advocacia para fazer promoção, dizer quem é você. Se punimos o advogado que se promove fazendo propaganda, até com distribuição de panfleto, já julguei diversos processos como conselheiro nesse sentido. Como a diretoria ou o departamento de marketing permite? Não tem alguém que conhece o Estatuto (da OAB)?
AR: Qual sua opinião sobre a criação de logomarca e slogan para a OAB-GO?
Eu acho que é o descumprimento de uma determinação estatutária, inclusive estabelecida dentro do próprio Conselho Federal. Isso é uma determinação expressa do Conselho Federal. Não sei se há na norma alguma punição, mas no mínimo é um desrespeito à marca. Ele está tentando desvirtuar da Ordem. Ele (presidente Enil Henrique) deveria saber e não ter permitido, porque agora acaba recaindo a responsabilidade sobre ele.
AR: O senhor acha que está havendo interferência excessiva do departamento de marketing na presidência?
Não sei. Não posso falar, porque nosso convívio hoje com a seccional é muito pouco. Porque o trabalho aqui na Caixa, de enxugar gelo, está sendo muito difícil. Queremos terminar com dignidade.
AR: Ser presidente da OAB é um sonho?
Já foi. Vou ser muito sincero, já foi. Tenho a veia política, participei de movimento estudantil. Mas (ser presidente) deixou de ser um sonho. Não que eu não tenha mais vontade, mas vejo na fila homens que estão muito bem preparados, como Flávio Borges. Eu vejo que o projeto te impõe esse conhecimento, você tem que abrir espaço pra outras pessoas virem trabalhar.