Sarah Mohn
A Redação – Com indícios cada vez mais frequentes, nos bastidores, de que poderá se concretizar uma divisão no grupo OAB Forte, o pré-candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) e secretário-geral da instituição, Julio Meirelles, disse ao jornal A Redação que, caso haja lançamento de duas candidaturas dentro de seu grupo, ele seguirá a escolha dos ex-presidentes Felicíssimo Sena, Miguel Cançado e Henrique Tibúrcio.
“Terei que optar por um deles e seria o que for apoiado pelo grupo ao qual faço parte há anos, que é o grupo ao qual pertence Felicíssimo Sena, Miguel Cançado e Henrique Tibúrcio”, afirmou em entrevista concedida ao AR na tarde de quarta-feira (24/6). Integrante da atual diretoria da entidade – presidida por Enil Henrique Filho, que não confirma, mas é tido nos bastidores como candidato à reeleição – o secretário-geral tentou, no entanto, amenizar o posicionamento. "Eu ainda acredito muito na união do grupo.”
Julio Meirelles declarou ainda que “não foi consultado” pelo presidente Enil Henrique Filho sobre a criação do slogan “OAB Goiás para todos”, adotado em maio, durante o colégio de presidentes em Anápolis, e que começa a gerar questionamentos entre a categoria sobre possível uso da máquina para fins eleitorais.
Quanto ao já confirmado candidato opositor Lúcio Flávio de Paiva, o secretário-geral critica que o advogado “não tem projeto e nenhuma experiência” à frente da OAB e que, portanto, não representa ameaça à OAB Forte. Julio Meirelles é também membro consultor da Comissão Especial de Direito Eleitoral do Conselho Federal da OAB e advogado especializado em Direito Eleitoral e Direito Constitucional.
(Foto: A Redação)
Confira a íntegra da entrevista:
Jornal A Redação: A administração do presidente Enil Henrique Filho à frente da OAB-GO completa cinco meses. Como o senhor avalia?
Julio Meirelles: O Enil está trabalhando bastante. É difícil avaliar algo que tem tão pouco tempo. A princípio penso que ele está tentando cumprir os compromissos que fez quando de sua candidatura. Mas dificilmente poderia eu te dar uma resposta definitiva sobre a gestão dele. Eu acho muito cedo para responder.
AR: Mas ele assumiu a presidência para curto mandato. Quando é o momento de avaliar a gestão?
Talvez no fim do ano. Quando terminar a gestão.
AR: O senhor tem acesso a todas as reuniões da diretoria?
Digamos que sim. Tenho acesso a todas as reuniões.
AR: Por que “digamos”?
As que não sei eu não fico sabendo, se não tive acesso. As que são marcadas pela assessoria da OAB, pela minha assessoria, eu tenho acesso a todas. Se está existindo alguma outra reunião, e eu creio que não, isso eu não consigo te responder.
AR: E aos documentos você tem acesso, especialmente em relação às auditorias internas?
Eu tenho conhecimento, menos que a diretora-tesoureira (Márcia Queiroz Nascimento), é claro, mas tenho conhecimento sobre os documentos.
AR: Como está sua relação com o presidente Enil?
Não tenho mais com ele o companheirismo institucional que tinha antes, principalmente por parte dele.
AR: Chegou ao AR uma denúncia a OAB estaria patrocinando eventos com bebidas alcoólicas a advogados do interior do Estado. O senhor tem conhecimento disso?
Não. Não tenho conhecimento.
AR: A OAB-GO adotou em maio, durante o colégio de presidentes em Anápolis, o slogan “OAB Goiás para todos”. Neste momento, isso não caracterizaria uso da máquina para promoção de campanha eleitoral do presidente?
Eu não posso fazer esse juízo. Não posso te dizer isso. Eu não vi esse slogan.
AR: Ele foi publicado, por exemplo, em nota publicitária da OAB-GO hoje em um jornal de grande circulação do Estado. O senhor não viu o jornal?
Não vi o jornal. Não tive acesso à nota.
AR: O que o senhor acha desse slogan?
Eu não vi, então não posso te dizer.
AR: O senhor, como secretário-geral da OAB, não viu o slogan adotado em maio, há mais de um mês?
Não, não vi.
AR: Como o senhor avalia a publicação da nota orientando os inscritos a paralisarem os serviços da advocacia dativa?
Eu não fui consultado sobre ela.
AR: O senhor criticou, na última sessão do conselho, que a decisão da OAB de entrar com entrar com ação judicial contra o Governo de Goiás na questão dos honorários dativos iria “arrefecer a situação”. Foi uma decisão equivocada do conselho?
Eu respeito a decisão do Conselho. Eu tenho a minha própria. E foi exatamente o que eu passei na oportunidade. Acho que a situação estava praticamente resolvida, alguns poucos assuntos, poucos detalhes estavam para ser acertados, então achei uma atitude precipitada. A manutenção da via diplomática seria a melhor solução.
AR: A respeito de campanha, já há avanço na definição de quem será o candidato da OAB Forte?
Não temos definição ainda.
AR: E quando vão ter?
Eu acho que isso depende da reunião de alguns membros. Eu defendo que os que mais teriam legitimidade para tanto seriam os ex-presidentes, mesmo porque estamos falando de 20 anos de presidência da Ordem. Quando eles se reunirem e definirem isso aí… o tempo é o menos importante agora. Essa é uma definição que deve ser feita com cautela e creio que no mês de julho ou agosto teremos isso já resolvido.
(Foto: A Redação)
AR: O que é preciso para viabilizar uma candidatura dentro da OAB Forte?
É difícil explicar. Acho que a pessoa deve ter alguns predicados. O maior deles deve ser o amor pela instituição, o amor pela advocacia, que eu tenho de sobra. Também a vontade de servir a instituição e o advogado goiano. Em terceiro, a experiência, algo que eu, modéstia à parte, carrego comigo, pelos cargos que exerci há mais de dez anos, que me possibilitaram conhecer profundamente a advocacia, manter contato diário com o advogado, sobretudo do interior, compreender as dificuldades por quais ele passa no exercício da profissão. Toda essa bagagem, todos esses requisitos somados a projetos e ideais são necessários para que seja escolhido o candidato de um grupo.
AR: É difícil viabilizar uma candidatura dentro da OAB Forte?
Se você tiver essas qualidades, acho que não.
AR: Há algum nome entre os outros três pré-candidatos (Enil, Flávio e Pedro Paulo) que você não apoia para a presidência?
Não. Desde que escolhido pelo grupo, eu não rejeito nenhum nome.
AR: E se houver dois candidatos?
Terei que optar por um deles e seria o que for apoiado pelo grupo ao qual faço parte há anos, que é o grupo ao qual pertence Felicíssimo Sena, Miguel Cançado e Henrique Tibúrcio.
AR: Se a candidatura do presidente Enil se confirmar e o grupo de Felicíssimo Sena, Miguel Cançado e Henrique Tibúrcio decidir lançar outra candidatura, e não apoiar Enil, o senhor acompanharia o grupo?
Eu prefiro não lidar com hipóteses. Eu ainda acredito muito na união do grupo, que é um grupo amplo e que, se mantiver unido, vai conseguir êxito na eleição de novembro.
AR: E se Enil te propor vaga de vice-presidente ou de conselheiro federal na chapa?
Eu não cogito essa possibilidade.
AR: Qual o seu diferencial entre os demais pré-candidatos da OAB Forte?
Em primeiro lugar, o amor pela instituição e o amor pelo exercício da advocacia. Em segundo lugar, o prazer, a honra e a satisfação que tenho em servir o advogado, servir a instituição. Em terceiro lugar, a manifestação de alguns colegas, tanto da capital, quanto do interior, no sentido de que eu colocasse o meu nome à disposição. E por último, mas não menos importante, a experiência que adquiri ao longo desse tempo. Os cargos que exerci, o corpo a corpo nas subseções em contato direto com o advogado do interior, como gestor da OAB, isso me possibilitou conhecer a OAB como um todo, e não só a OAB seccional Goiânia, também o Conselho Federal e outras seccionais espalhadas pelo país. Isso me traz possibilidade de apresentar soluções, projetos e ideias novas para tentar solucionar as mazelas que são enfrentadas pela advocacia.
AR: A participação de Sebastião Macalé será importante nessa campanha?
Eu acho difícil. Ele se afastou, ele renunciou ao cargo de vice-presidente e, na minha opinião, cometeu algumas faltas muito graves. Na minha opinião, ele não teria mais espaço para trabalhar em prol da advocacia. Mas isso é uma questão personalíssima. Ele vai decidir se ele vai querer ou não participar das eleições.
AR: Vocês estão dialogando com ele?
Eu não tenho nenhum contato com ele.
AR: Uma reaproximação com o grupo teria que partir dele? Vocês cogitam procurá-lo?
Eu não posso responder pelo grupo todo. Ele criou algumas resistências por conta das atitudes que tomou. Isso não foi discutido, então não há como te passar alguma posição.
AR: O perfil de Lúcio Flávio representa ameaça à OAB Forte?
Absolutamente nenhuma.
AR: Como o senhor avalia o candidato?
Ele é um rapaz que, me parece, muito inteligente, um bom profissional, mas que ainda não tem projeto e nenhuma experiência. Assim como ele, existem alguns que de três em três anos surgem sem nenhum projeto político e apresentar, simplesmente tentando um discurso de desconstrução. E tentar desconstruir o que foi feito pelo nosso grupo ao longo de mais de uma década é negar o óbvio. O discurso é muito raso, muito simplório e esse é o grande problema da oposição.
AR: Nas últimas eleições, a grande demanda dos advogados era a valorização das prerrogativas. O que avançou nessa questão nas gestões de Henrique Tibúrcio e agora na de Enil Filho?
Avançou muito. Hoje, eu não classifico como um problema da advocacia a defesa das prerrogativas. Isso vem sendo feito com muita eficiência já há algum tempo. Nós temos, sim, outros problemas. Esse não é, sem sombra de dúvida, o maior deles.
AR: Qual será a demanda desta campanha?
Eu acho que o grande problema da advocacia hoje é a morosidade decorrente, principalmente, da falta de juízes. Tenho certeza que esse vai ser o grande desafio do próximo presidente, lidar com essa morosidade, com a falta de juízes. Eu pretendo e teria como bandeira a atuação propositiva em torno desse tema. Talvez buscar formas de possibilitar aumento de orçamento por parte do poder judiciário, fazendo talvez uma interlocução com o governo, para que seja possível a realização de concurso, tanto para magistratura, quanto para servidores. Só assim que a justiça vai se tornar menos morosa. Um outro problema que julgo importante é a captação ilegal de clientela. E o exercício ilegal da profissão também, um tema que é muito recorrente no interior. No mais, a valorização dos honorários é também muito importante, sobretudo da UHD (Unidade de Honorários Dativos) e a busca pelo pagamento em dia.
AR: Secretário, quanto a ataques, acusações e mesmo baixaria frequente em campanhas eleitorais da OAB, esse é um artifício necessário?
Baixaria nunca é necessária, em campanha nenhuma. Nós nunca atuamos em eleição com baixaria. Isso foi uma prática sempre muito utilizada pela oposição. Nós jamais adotamos qualquer prática rasteira, qualquer medida que pudesse macular a imagem de qualquer advogado. Já vimos isso em outras eleições, mas sempre, sempre por iniciativa da oposição.
AR: Existe alguma pesquisa de intenção de votos para a presidência da OAB-GO?
Existe.
AR: E como o senhor aparece nela?
Bem pontuado.
AR: Em qual posição?
Eu não posso falar.