Sarah Mohn
Goiânia – Sem esconder total insatisfação com o Partido dos Trabalhadores (PT), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), afirmou em entrevista coletiva à imprensa que não pretende caminhar politicamente junto à legenda e se demonstrou favorável ao rompimento da aliança eleitoral entre PT e PMDB, já estremecida no governo federal.
“Eu não pretendo caminhar com o PT em nenhuma circunstância, em nenhuma aliança. A minha posição pessoal é de distanciamento do PT. Eu estou distante do PT e quero a cada dia que passa ficar mais, até porque a sociedade está de certa forma rejeitando o PT por causa desse tipo de comportamento”, declarou Cunha, durante o 14º Encontro Regional do PTB, realizado na Câmara Municipal de Goiânia nesta terça-feira (16/6).
Em coletiva, o presidente da Câmara disse ainda que não acredita que PMDB e PT mantenham a aliança para o próximo pleito eleitoral nacional, de 2018. “Eu não vejo nenhuma possibilidade de meu partido marchar junto com o PT em 2018. Não adianta você ficar como aliado a quem você agride constantemente. É melhor se separar.”
Ao citar uma entrevista pulicada no último fim de semana, em que o presidente da Câmara declarou não enxergar viabilidade de renovação de aliança com o PMDB, Cunha acusou o PT de usar discursos em tribuna no Congresso Nacional para agredi-lo. “O PT vive de agressão, tem tido uma tática de agressão. Eu estou cansado de ser agredido pelo PT já faz tempo. A relação com o PT não está boa com ninguém, nem com a sociedade, nem com seus partidos aliados”, criticou.
A relação institucional com o governo federal, em contrapartida, foi defendida pelo deputado como necessária. “Obviamente, há uma tentativa de tentar manter a estabilidade do governo e não tirar a sustentabilidade política. Eu acho que o desgaste do PT é maior que o da presidente”, ponderou.
(Foto: A Redação)
PMDB em Goiânia
Questionado pelo jornal A Redação se o PDMB deve lançar candidato nas eleições municipais de 2016, incluindo na capital goiana, hoje administrada por PT, mas que abriga o PMDB, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, declarou que é “sempre favorável” à chapa pura.
“Eu sou a favor do lançamento de chapa pura pelo PMDB em tudo quanto é lugar, sempre quando possível. É claro que cada lugar tem a sua peculiaridade regional, a sua aliança regional. Mas time que não joga não tem torcida”, disse.
A respeito da participação no 14º Encontro Regional do PTB, em Goiânia, Eduardo Cunha justificou o comparecimento em “prestígio” ao deputado Jovair Arantes (PTB). “O Jovair Arantes é o líder do partido e faz parte do bloco ao qual eu faço parte. Efetivamente, eu vim prestigiá-lo. A motivação é o Jovair”, disse.
A expectativa de privatização da Celg também foi comentada pelo deputado, que já se declarou favorável a privatizações. Eduardo Cunha, no entanto, não quis emitir opinião sobre a companhia energética goiana e disse desconhecer os aspectos técnicos do projeto que pretende vendê-la à iniciativa privada.
“O fato de eu ser presidente da Câmara não quer dizer que eu seja dono das ações do Executivo. Estou sempre disposto a ouvir, colaborar e ver legislativamente o que é melhor e pior. Mas eu não sou dono dessa pauta. Eu tenho uma opinião genérica sobre a privatização, eu não conheço detalhes específicos dela (da Celg)”, desconversou.
Reforma política
A reforma política que passa por votação no Congresso Nacional também foi abordada por Eduardo Cunha em entrevista concedida à imprensa nesta terça-feira, em Goiânia. Ele justificou que as mudanças mais profundas no sistema político-eleitoral brasileiro têm sido rejeitadas, porque não correspondem aos interesses dos próprios parlamentares.
“Ela não está saindo a gosto pessoal de quem quer que seja. Se a decisão que está saindo não agrada, é porque a maioria da Casa decidiu desse jeito. Na prática, a decisão que a maioria está tomando é de se manter o que está. Significa que estão contentes com o modelo que está”, afirmou.
Cunha disse ainda que a votação colocará fim à “hipocrisia de ficar pregando mudança, quando na realidade, na hora de votar, ninguém vota”. “É importante para a gente tirar esse tema da agenda, vencer essa barreira de em toda campanha eleitoral ficar todo mundo pedindo reforma, e na prática ninguém quer reforma nenhuma.”