Sarah Mohn
Goiânia – O PSDB terá cabeça de chapa para a disputa pela prefeitura de Goiânia, em 2016, e os partidos da base governista estadual deverão compor com tucanos para lançamento de chapa única. Ou seja, deverão aceitar a vaga destinada à vice-prefeitura. A tese, defendida como “modelo vencedor” pelo novo presidente metropolitano da legenda, Rafael Lousa, já teria se comprovado nas urnas como a mais eficaz.
“Basta olhar os resultados das eleições que disputamos com duas candidaturas da base. Em todas saímos derrotados. Em todas as vezes que saímos unidos para o governo do Estado, nós vencemos”, pondera Lousa, oficializado como presidente do PSDB em Goiânia no último domingo, em convenção que elegeu 71 integrantes e 24 suplentes do diretório metropolitano.
Em entrevista ao jornal A Redação, o empresário, advogado, cientista político e presidente da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) diz que o PSDB deverá fazer entre 14 e 16 vereadores no ano que vem; reafirma que não possui projeto eleitoral “por enquanto”; e ressalta que o candidato à prefeitura deverá reunir “uma composição de critérios”. “A sintonia com a população é fundamental.”
Crítico contumaz da administração municipal na capital, Rafael Lousa opina que falta eficiência de gestão na prefeitura e considera que o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) “abandonou” Goiânia e, na sequência, o prefeito Paulo Garcia (PT).
Confia a íntegra da entrevista:
Jornal A Redação: Por que ser presidente metropolitano do PSDB?
Rafael Lousa: Esse propósito não partiu de mim. A bancada de vereadores de Goiânia viu em mim uma expectativa de trabalho de sustentação das candidaturas dos vereadores e preparação para as eleições de 2016, com a candidatura de prefeito. Estamos com a estimativa de dobrar a bancada, hoje temos cinco vereadores e a expectativa de que elejamos dez. Mas eu quero trabalhar com uma ousadia um pouco maior. Eu acho que vamos conseguir chegar a 14 ou 16 se nós conseguirmos cumprir com todos os nossos objetivos de trabalho neste ano, que vai ocorrer de agora até maio do ano que vem. Num segundo momento, houve o trabalho de renovação das zonais, feito nos últimos dois meses. A partir daí começamos a trabalhar uma chapa para o diretório, com representação de todos os segmentos do partido.
AR: Você concorda com a orientação do PSDB goiano de eleger presidentes de diretórios que não almejem disputar mandatos?
Rafael Lousa: O mandato vai de 31 de maio de 2015 até 31 de maio de 2017. Então, ele passa por todo o período eleitoral. O fato é que nós tínhamos um presidente (Maurício Beraldo) que tem a pretensão de ser vereador na próxima eleição. Então, ele não teria como se dedicar à sua própria eleição e à campanha de todos os demais candidatos a vereadores.
AR: Por que você não deseja disputar mandato eletivo?
Rafael Lousa: Eu não tenho agora em vista nenhuma pretensão, mas sempre ajudei o partido. Já passei por vários cargos dentro do partido, fui presidente do Instituto Teotônio Vilela, secretário-geral da Juventude do PSDB, exerci cargos dentro diretório. Por enquanto, não tenho essa pretensão. Logicamente, também estou aguardando todas as mudanças relacionadas à reforma política. Temos que entender como vão se desenhar os cenários a partir da finalização dessa discussão.
AR: Quais serão suas primeiras ações à frente da presidência da legenda?
Rafael Lousa: Nós já começamos um processo de transição. Tivemos uma primeira reunião logo após as eleições. A partir de agora, vamos retomar as reuniões nas próprias zonais, que é uma novidade. Isso foi muito bem recebido e elogiado por que o partido vai estar mais presente em cada região, nas suas bases. O projeto que vamos começar a trabalhar é um projeto macro, de longo-prazo. Não é algo para apagar incêndio ou resolver problema de momento. É um projeto para pensar Goiânia nos próximos 20 anos. Voltar a planejar o desenvolvimento da cidade, com o resgate do orgulho de ser goianiense, através de uma cidade bem cuidada, bem gerida e com os serviços públicos funcionando.
AR: Você falou no resgate do orgulho de ser goianiense. Esse será o mote da campanha no ano que vem?
Rafael Lousa: Esse é um clamor que escutamos ao longo do trabalho nas zonais. Primeiro, de nos orgulharmos por Goiânia ser uma das melhores cidades do mundo para se viver. Em segundo, há um pedido da nossa militância para que o PSDB volte a apresentar uma alternativa. Já são 15 anos sem apresentar um nome para que a população avalie se é o adequado para tocar esse projeto que vamos formular. Agora, são etapas. Primeiro vamos fazer um projeto, trabalhar uma base que dê sustentação e governabilidade a ele e, logicamente, um executor dele.
AR: Alguns partidos da base governista têm anunciado pré-candidatos à prefeitura de Goiânia. Caso eles se confirmem, o PSDB terá disposição em lançar chapa pura?
Rafael Lousa: Nós não pretendemos deixar de ter um nome sugerido pelo partido. Hoje, estamos numa discussão interna, que será afunilada em um nome só. No ano que vem nós iremos apresentar um nome e conversar com os demais partidos da base. Nós não pretendemos abrir mão, porque abrimos mão ao longo dos anos. E também não concordamos com a tese de que a base deve ter mais de um candidato. Não é por capricho, mas por uma constatação científica e histórica. Basta olhar os resultados das eleições que disputamos com duas candidaturas da base. Em todas saímos derrotados. Em todas as vezes que saímos unidos para o governo do Estado, nós vencemos. Essa é a constatação de que existe um modelo vencedor.
AR: O que vai pesar mais na escolha do candidato do PSDB, a experiência comprovada nas urnas ou o perfil de gestão?
Rafael Lousa: Acredito que uma composição de critérios. Eu não sou dos que acham que um único critério define uma eleição. Logicamente, uma votação pesa bastante, tem que ser considerada, é um critério extremamente forte. Também é importantíssima a capacidade de aglutinar apoios, capacidade de articular com os demais partidos, com lideranças políticas e representantes da sociedade. A sintonia com a população é fundamental. Nós temos pesquisas qualitativas, que também determinam o perfil que a população almeja ter no prefeito eleito. Não cabe a mim decidir quais serão essas características, essa decisão será do diretório.
AR: Como o senhor avalia a gestão do prefeito Paulo Garcia (PT)?
Rafael Lousa: Eu lamento, em alguns aspectos. Hoje, passado quase três anos de seu segundo mandato, a gente lamenta as ações que foram planejadas, mas deixaram de ser executadas. Na gestão como um todo, você vê dificuldades. Não é à toa que se está fazendo uma reforma administrativa, em função de uma incapacidade total de investimento a que o município chegou. Todo recurso hoje investido em Goiânia é do governo federal. Praticamente nada sai dos cofres da prefeitura, que tem dificuldades inclusive com a própria folha de pagamento. Acredito que o Paulo se tornou ao longo dos anos um órfão político. A sustentação que era dada a ele, principalmente pelo PMDB, foi retirada. E o próprio ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) não quer tanto contato, logicamente pensando no seu projeto pessoal.
AR: Falta gestão na prefeitura de Goiânia?
Rafael Lousa: Eu acredito que falta eficiência na gestão em Goiânia. Mas tem solução. A prefeitura hoje não presta um serviço a contendo e por falta de determinação da própria gestão central. Não é por falta de vontade dos secretários e servidores, esses têm muita vontade de trabalhar. A maior vítima é o cidadão, é ele quem é penalizado ao final.
AR: Acredita que Iris Rezende será um adversário forte, como foi nos últimos pleitos na capital, caso seja confirmado candidato?
Rafael Lousa: O ex-prefeito Iris Rezende é sempre um adversário forte, pelo nível de conhecimento que a população tem dele. Logicamente, há um respeito pela história dele, mas em termos de gestão a do ex-prefeito está ultrapassada. É mais uma questão pessoal. Ele já havia dito que não seria candidato. Não temos receio em disputar com o ex-prefeito, porque sabemos que ele não tem amor por Goiânia. Todas as vezes que entrou na administração municipal dizendo que era por amor a Goiânia ele também abandonou essa gestão para tentar conquistar o grande sonho dele, que é o governo do Estado. Felizmente, não conseguiu mais uma vez. Isso mostra que, além de ter abandonado a prefeitura, agora abandonou também o prefeito Paulo Garcia, talvez no momento em que o prefeito mais precisasse do seu apoio.
AR: A base aliada perdeu as ultimas três eleições majoritárias na capital e o governador Marconi Perillo também perdeu em Goiânia, nos votos computados para o governo estadual. Como fazer o PSDB ganhar em Goiânia?
Rafael Lousa: São momentos distintos e características diferentes. Para o governo do Estado, a eleição em Goiânia foi muito dividida. No segundo turno, foi uma diferença de 10%, Iris com 55% (dos votos) e Marconi com 45%. Para alguém que está há seis anos governando uma cidade, a essa margem não é uma derrota. Em segundo lugar, pelas pesquisas que são fomentadas nos jornais, essa margem hoje está em 35%. Já se foram 20 pontos sem nenhum tipo de movimentação. Agora, se você analisar o PSDB como um todo, nós não perdemos em Goiânia. Nós tivemos o deputado federal mais votado da história do Estado (Waldir Soares) e nós tivemos o deputado estadual mais votado da Assembleia (Mané de Oliveira), também de Goiânia. Temos cinco vereadores na bancada. Então, o goianiense tem um carinho especial pelo PSDB e acredita no modelo de gestão do partido.