José Cácio Júnior
O que era pera ser um evento administrativo e discutir o repasse de recursos federais aos municípios, se tornou pauta política em relação à situação financeira da Celg. Em visita a Goiânia neste sábado (3/12) para participar do 1° Seminário de Gestão de Recursos Públicos, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e políticos ligados à presidente Dilma Rousseff (PT) criticaram a decisão do governador Marconi Perillo (PSDB) de contestar o acordo negociado por Alcides Rodrigues (PP), em 2010, para quitar as dívidas da estatal.
O ministro ratificou a exigência do governo federal em deter o comando acionário da Celg. A medida, alertou Gilberto, é para que a estatal “nunca mais” volte a passar dificuldades financeiras por decisões políticas. “Quero lembrar vocês que o acordo da Celg estava sacramentado no governo anterior. Foi o atual governador que, eleito, determinou que não fosse concretizado (…). Queremos uma gestão acertada e a presidenta Dilma faz questão que a gestão das ações passem a ser majoritariamente do governo federal para que o assunto se resolva de uma vez por todas,” declarou.
Além de ter “certeza de que cada centavo (do empréstimo de R$ 3,5 bilhões) seguirá para seu destino”, o ministro de Dilma explicou que os termos do acordo foram modificados por uma análise que pode ser feita “mais detidamente”. Gilberto Carvalho disse que a presidente reconhece a importância de Goiás para o Brasil, principalmente pela posição geográfica do Estado, que possibilita, por exemplo, escoamento da produção e ligação com as outras regiões do país.
Mesmo com a situação da Celg prestes a ser resolvida, Marconi conviverá, por certo tempo, com as acusações de ter trabalhado contra o acordo realizado por Alcides Rodrigues. O deputado estadual Karlos Cabral (PT) disse que a carta enviada pelo tucano a Brasília não será esquecida. “Todo mundo se recorda que o acordo passado não foi fechado por causa dele e que causou prejuízo de R$ 2,7 bilhões para Celg e R$ 13 bilhões para o Estado.”
A deputada federal Iris de Araújo (PMDB) aumentou o tom das críticas e disse que o governador não pode ser reconhecido como o principal personagem na realização do acordo. A crítica da peemedebista explicita a estratégia da oposição de mostrar que o empréstimo e a consequente melhoria da estatal goiana só foi possível pelo apoio do governo federal. Parlamentares de oposição ao governo estadual discutem estratégia política para que o bônus do acordo para a Celg não fique apenas com Marconi.