Sarah Mohn
Goiânia – A última edição da revista Época, que chega às bancas em todo o país neste fim de semana, traz reportagem apontando suposto tráfico de influência entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a construtora Odebrecht. Lula teria ajudado a empresa brasileira a obter contratos na América Latina e na África, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A denúncia foi encaminhada como representação aos procuradores do Ministério Público do Distrito Federal no início dessa semana e será investigada por integrantes do Núcleo de Combate à Corrupção do órgão nos próximos dias. A representação foi repassada ao Ministério Público Federal (MPF) e será tratada inicialmente como “nota de fato”. Caso haja entendimento entre os procuradores, poderá ser instaurado inquérito contra o ex-presidente.
Denúncia
A revista Época relata que as viagens de Lula por países da América Latina e na África teriam sido custeadas pela construtora Odebrecht. A revista afirma que o BNDES financiou ao menos US$ 4,1 bilhões em projetos da Odebrecht em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba durante os governos de Lula e Dilma Rousseff.
Segundo documentos citados pela revista, o BNDES teria fechado o financiamento de US$ 1,6 bilhão com destino final à Odebrecht após Lula, já ex-presidente, se encontrar com os presidentes de Gana e da República Dominicana.
De acordo com Época, a construtora Odebrecht foi a “que mais se beneficiou com o dinheiro barato do banco estatal. Só no ano passado”. Estudo do Senado reveleu que a empresa recebeu US$ 848 milhões em operações de crédito para tocar empreendimentos no exterior — 42% do total financiado pelo BNDES.
A reportagem destaca o resumo do processo, com texto do Ministério Público Federal: “Tráfico de influência. Lula. BNDES. Supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente, da empreiteira Odebrecht pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, entre os anos de 2011 a 2014, com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES.”