Logo

Após cair 40% na Bolsa, Petrobras tenta reação com balanço

WhatsAppFacebookLinkedInX
22.04.2015 - 08:12:19

Rio de Janeiro – Nos cinco meses em que ficou sem balanço auditado, as ações da Petrobras viveram numa montanha-russa. O resultado foi uma variação de até 40% no valor de mercado – a multiplicação do preço da ação pelo total de papéis -, conforme levantamento da consultoria Economática, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo.

Recentemente, a empresa recuperou parte do valor em Bolsa, mas, além do balanço, previsto para ser divulgado nesta quarta-feira, 22, no fim do dia, a estatal precisará apresentar consistência nas estratégias e dados financeiros para se reerguer. O valor de mercado da companhia saiu de R$ 173 bilhões, em novembro, para R$ 105 bilhões, no fim de janeiro, queda de 40%.

A forte queda nesses cinco meses ocorreu após a empresa indicar que seus ativos tinham valores inflados em R$ 61,4 bilhões devido a falhas, ineficiência e corrupção nos contratos. Sob a expectativa de finalmente apresentar dados financeiros auditados, a empresa alcançou o valor de R$ 171,6 bilhões, na segunda-feira.

O valor ainda é muito abaixo do auge, quando a estatal atingiu R$ 510,4 bilhões na Bolsa, em maio de 2008. O balanço do terceiro trimestre de 2014 foi suspenso em 13 de novembro, véspera do limite legal para publicação dos resultados. Desde então, o volume de negócios da BMF&Bovespa cresceu 4,07%, enquanto o valor das ações preferenciais (PN, sem voto) da companhia caíram 4,37%, segundo a Economática. As ações ordinárias tiveram alta de 1,07%.

Notícias ruins
As oscilações dos papéis da companhia se devem a uma "espiral" de notícias ruins, segundo o analista independente Pedro Galdi. "Já havia uma queda das ações com o represamento do preço de combustíveis por três anos, mas a Lava Jato trouxe mais dificuldade de caixa e afetou os projetos da Petrobras. Ela entrou em parafuso, o mercado perdeu a confiança nos indicadores", avalia.

O adiamento do balanço ocorreu após a PricewaterhouseCoopers (PwC) se recusar a auditar os dados, sem que as investigações sobre suspeitas de corrupção fossem aprofundadas. Parte dos títulos de dívida emitidos pela Petrobras traz a exigência de publicação de dados financeiros auditados. Sem eles, os credores podem exigir o pagamento antecipado.

Em relatório divulgado ontem, a agência de classificação de risco Moodys avaliou que afastar esse risco é o principal efeito da publicação do balanço previsto para hoje. "Nosso cenário base é que, após a publicação dos balanços auditados, a situação em torno da companhia tenderá a se estabilizar", diz um trecho do relatório.

Com isso, segundo a Moodys, caem as chances de ocorrer um evento como um calote, que poderia exigir socorro por parte do Tesouro Nacional. Sem a antecipação de dívida, não haveria "qualquer necessidade de curto prazo de apoio à companhia, evento que elevaria os desafios financeiros do governo".

Na tentativa de reverter os danos, a companhia anunciou a criação de um comitê de investigação sobre as denúncias, bloqueou de suas licitações 25 empresas sob investigação da Polícia Federal, e criou a diretoria de governança. As medidas não foram suficientes para estancar a perda de valor.

"Nesse período, a queda acentuada da cotação do petróleo levantou a dúvida se o pré-sal seria viável, e gerou especulação", complementa Galdi. A dúvida que persiste é qual o valor total de recursos da companhia que foram desviados e, portanto, devem ser descontados dos ativos contabilizados no balanço.

Em 27 de janeiro, a gestão de Graça Foster indicou que os ativos da companhia estariam inflados em R$ 61,4 bilhões devido à ineficiência, depreciação e corrupção. Em uma semana, a estatal perdeu R$ 23 bilhões em valor de mercado e toda a diretoria renunciou. Analistas esperam uma baixa contábil entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões, valor descontado diretamente do lucro.

Assim, mesmo com aumento da produção e reajuste no preço de combustíveis, o desconto poderá limitar o pagamento de dividendos. A petroleira viu ainda piorarem seus indicadores com a perda do grau de investimento da Moodys, o que restringiu seu acesso a financiamento. A estatal também está pressionada pela alta do dólar.  (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Oportunidade
08.10.2026
Empresa oferta 20 vagas de emprego na área financeira em Goiânia e Rio Verde

A Redação Goiânia – A Nexgen Capital, escritório com sede em Goiânia, está com 20 vagas abertas para assessores de investimentos por meio do programa XP Future. A oportunidade é voltada para profissionais com experiência comercial que buscam migrar ou crescer no mercado financeiro. As oportunidades são para as cidades de Goiânia e Rio Verde […]

Negócios
29.09.2026
SuperAgos 2026 supera projeções, bate recordes e movimenta mais de R$ 350 milhões em negócios

A Redação Goiânia – A SuperAgos 2026 encerrou sua 23ª edição superando as expectativas e confirmando a força do encontro promovido pela Associação Goiana de Supermercados (AGOS). Realizada entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia, a feira contabilizou mais de 22 mil acessos nos três dias, reuniu profissionais ligados […]

Talentos
29.09.2026
No comércio varejista, gente virou o novo ativo do negócio

Fernando Dantas Especial para o jornal A Redação Goiânia – Manter bons profissionais no quadro da empresa deixou de ser apenas uma preocupação do departamento de Recursos Humanos e passou a ser uma questão diretamente relacionada à produtividade e aos custos do negócio. Pesquisa global do Wellhub, realizada com 1.515 líderes de RH e benefícios […]

Jardim Ingá
25.09.2026
Dia do Cooperativismo de Luziânia terá serviços e lazer gratuitos

A Redação Goiânia – A comunidade do Jardim Ingá, em Luziânia, recebe neste sábado (26/9) a terceira edição do Dia do Cooperativismo. O evento será realizado das 8h às 12h, na Avenida Lucena Roriz, com uma programação gratuita voltada à população. Realizada pelo Sistema OCB/GO, a iniciativa reúne as cooperativas Cresol, Sicoob Unicentro Br, Sicredi Luziânia, […]

Negócios
24.09.2026
GWM Navesa inaugura nova unidade em Aparecida de Goiânia

A Redação Goiânia – A GWM Navesa inaugura nesta quinta-feira (24), em Aparecida de Goiânia, uma nova unidade na Avenida Rio Verde, Quadra 44, Lote 5E, na Vila Rosa. A operação amplia a presença da marca na Região Metropolitana de Goiânia e terá estrutura voltada ao atendimento, apresentação dos veículos e serviços da concessionária. A inauguração […]

Eleições 2026
17.09.2026
Marconi defende ações para evitar fuga de indústrias goianas após fim de incentivos fiscais

A Redação Goiânia – Candidato do PSDB ao governo de Goiás, Marconi Perillo afirma que a prioridade do Estado deve ser evitar a saída de indústrias já instaladas, diante do fim previsto dos incentivos fiscais. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), na quarta-feira (16/9), com […]

Expoind
16.09.2026
Inscrições abertas para rodadas de negócios entre indústrias goianas e o mercado internacional

A Redação Goiânia – Indústrias goianas interessadas em conquistar novos mercados no exterior já podem se inscrever para participar das rodadas de negócios internacionais que serão realizadas durante o 13º Encontro Internacional de Comércio Exterior (Eice), promovido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). As rodadas vão ocorrer […]

Negócios
14.09.2026
SuperAgos 2026 projeta crescimento de 10% e reúne mais de 200 marcas em Goiânia

A Redação Goiânia – A capital goiana recebe a 23ª edição da SuperAgos 2026, entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia. O evento conta com mais de 200 marcas, presença de grandes indústrias e multinacionais, programação de conteúdo com nomes reconhecidos nacionalmente e expectativa de crescimento de aproximadamente 10% […]