Jairo Macedo
O que já era esperado aconteceu oficialmente no Vila Nova. Temporada encerrada, “vaga garantida” na Série C, era a hora de descartar boa parte do elenco. Betinho, Luiz Fernando e Davi Ceará já haviam se desligado do clube. Os zagueiros Augusto, Ben-Hur e Álvaro também deixaram o OBA nesta segunda-feira (28). Agora sobrou também para Roberto Cavalo, técnico que assumiu o comando da equipe em profunda crise e, sem obter sucesso, não terá contrato renovado para 2012.
Cavalo não saiu de boca fechada, porém. Antes, tocou nos conflitos de vaidade e dinheiro presentes no clube. “A montagem do time foi boa em termos de nomes, mas não em termos de valores, não se pode assumir orçamentos que você não vai cumprir”, afirmou ele. “E dentro de campo havia jogadores que tinham prioridades de amizade”, complementou. Dentro dessas “prioridades”, acredita ele, pode-se incluir desde escolhas de quartos de hotel na concentração até o jogo em si, em que alguns jogadores não estavam dispostos a correr por companheiros com quem não simpatizavam.
Quanto a seus erros pessoais, o treinador enumera a lentidão em tomar algumas decisões. Entre elas, a escolha em priorizar os garotos da base. Para ele, os garotos criados no Vila Nova – maioria em campo nas três partidas finais, quando o Tigrão já estava rebaixado – poderiam ter sido melhor aproveitados quando ainda havia chances de permanência na Série B.
Futevôlei e cerveja
As críticas de Roberto Cavalo não pararam por aí. Havia um boato de que, em certa ocasião às vésperas de um jogo, alguns jogadores não-relacionados estiveram no OBA jogando futevôlei enquanto seus companheiros treinavam no CT Marconi Perillo. Mais que isso, estes jogadores estariam bebendo cerveja para incrementar a diversão.
Perguntado a respeito, o treinador confirmou que isso realmente aconteceu. Cavalo não quis citar nomes e diz que não chegou a ver a cena, mas esclarece que ele e Carlos Eduardo, o Tim, diretor de futebol colorado, decidiram afastar os atletas assim que souberam. Nenhum deles teria atuado no restante da competição.
Retrospecto ruim
Na chegada ao Tigrão, Roberto Cavalo procurou ser incisivo em sua postura. Falou em comprometimento e em deixar de lado quem “estiver na dúvida”, como definiu na época. Era a 30ª rodada da Série B e, dos noves confrontos que tinha pela frente, o Vila Nova precisava vencer seis deles para garantir a permanência na Segundona sem depender de outros resultados. O saldo final, no entanto, foi justamente o oposto: seis derrotas, três empates e nenhuma vitória sob o comando do treinador.
Roberto Cavalo passa agora o natal com sua família em Criciúma e já planeja seu futuro. Dois clubes de Santa Catarina, Chapecoense e Brusque, entraram em contato com o treinador. Sobre o que deixa de positivo no Vila Nova, ele demonstra uma ponta de esperança. “Poucos conseguiram mostrar por que foram contratatos, mas tenho certeza que o Vila já tem um princípio de grupo com esses garotos da base”, resume ele.
Treinador para 2012
A vinda de Roberto Cavalo se deu como a oitava contratação de técnico feita pela diretoria do Vila Nova neste ano. Seu substituto para a temporada 2012 pode ser Wladimir Araújo, ex-jogador do clube que hoje trabalha no Goiás. Eduardo Barbosa, candidato à presidência do Tigrão, afirmou seu interesse no treinador. Tudo depende das eleições coloradas, que acontecem na próxima quinta-feira. Depende também, é claro, da vontade de Wladimir, que confirma o contato de Barbosa, mas acena também para a possibilidade de permanência no esmeraldino.