A Redação
Goiânia – O secretário de Saúde de Goiás, Leonardo Vilela, concedeu entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (24/3) para falar sobre a superlotação enfrentada pelos pacientes no Hospital Materno Infantil (HMI), em Goiânia. Para ele, o principal problema é que a unidade de saúde recebe muita demanda que não está enquadrada no perfil do hospital. O Pronto Socorro Pediátrico do hospital registra uma média de cinco mil atendimentos mensais, sendo que de 60% a 69% desses pacientes estão fora do perfil de atendimento.
"Esse é um hospital de alta complexidade e que é preparado para atender pacientes com emergência e urgência. O excesso de pacientes que poderiam ser atendidos em unidades básicas de saúde compromete o atendimento. Além disso, as mães são obrigadas a esperar horas com as crianças chorando, de forma desconfortável. Essa é uma situação inaceitável. O HMI faz 6 mil atendimentos por mês, o dobro que fazia há dois anos", explicou o secretário.
A diretora-geral do HMI, Rita de Cássia Leal, entregou nesta manhã um relatório sobre o atendimento na unidade ao promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional da Saúde do Ministério Público, Érico de Pina Cabral. O documento explica que os pacientes são separados por classificação de risco: vermelho indica os casos mais graves com alto risco de morte; amarelo corresponde a casos graves, porém com baixo risco de morte; verde são aqueles com queixas agudas e azul com queixas simples.
Nos dois primeiros meses deste ano, o HMI atendeu 5.084 pacientes com ficha verde, 2.900 com ficha amarela e 557 com ficha vermelha. "O hospital recebe mais da metade dos pacientes classificados como verde e azul, ou seja, são doenças de baixo risco e que não necessitam de atendimento de urgência e que podem ser resolvidos em unidades básicas", defende Leonardo Vilela.
Uma das soluções imediatas, de acordo com o secretário, é ter unidades municipais de saúde para encaminhar pacientes que não estão no perfil de atendimento do HMI. Para isso, conforme destacou, é necessário uma ação conjunta.
(Foto: Goiás Agora)
"Cabe ao município a atenção básica. Ao Estado cabe a alta complexidade, e este é um hospital enquadrado neste perfil, aqui não é um posto de saúde e não pode ser tratado como tal. As mães estão certas, porque querem o bem dos filhos e sabem que aqui terão bom atendimento. Mas um fluxo acima do normal prejudica o funcionamento da unidade", diz.
A maioria dos pais das crianças que necessitam de atendimento médico afirma que procura o HMI por não encontrar atendimento adequado nos Centros de Atendimento Integral da Saúde (Cais). A Secretaria Municipal de Saúde publicou uma nota orientando os pais a buscarem unidades ambulatoriais em caso de sintomas não emergenciais, como tosse e dor de cabeça. Neste caso, a consulta deve ser marcada pelo número 0800 646 1560.