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Essa tal esperança equilibrista

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20.03.2015 - 11:29:16
 
Goiânia – Em plena agitação das manifestações, passou praticamente batido uma das datas mais importantes da história recente do País: há 30 anos tomava posse na Presidência da República o primeiro civil após uma sequência de marechais e generais iniciada após o golpe militar de 1964. Não era o presidente desejado pelos brasileiros, nem havia sido pelo tão sonhado voto direto, mas coube a José Sarney a honraria de reiniciar o ciclo de redemocratização, que ainda hoje, tal como uma criança que dá os primeiros passos, cambaleia de cá, tropeça de lá, mas se levanta para continuar a andar para frente.
 
Sarney assumiu o cargo no dia 15 de março de 1985 na impossibilidade de Tancredo Neves, que viria a falecer no simbólico dia 21 de abril vítima de uma pancreatite. Tancredo fora eleito em janeiro daquele ano pelo Colégio Eleitoral, derrotando o candidato da situação, Paulo Maluf, graças à dissidência de parte do PDS, principalmente a ala nordestina, que acabou fundando o PFL e se aliando ao PMDB – sigla que, então, personificava as aspirações pela democracia.
 
Desde então, com erros e acertos, a democracia brasileira tem avançado. Mesmo governos absolutamente controversos, como o do próprio Sarney e, principalmente, de Fernando Collor, deixaram alguma contribuição para a consolidação do regime democrático no País. Coube a Sarney, com seu histórico ligado às velhas oligarquias, conduzir a transição e o surgimento da Constituição de 1988, que, entre outras coisas, finalmente possibilitou aos brasileiros a escolha do presidente pelo voto direto.
 
Em 1989, Collor, o primeiro presidente eleito via voto popular desde Jânio Quadros, iniciou a abertura (ainda relativa) econômica do Brasil, até cair em meio a um mar de denúncias de corrupção e à inabilidade de lidar com um Congresso sempre faminto. Itamar (vice de Collor) e Fernando Henrique Cardoso (ministro de Itamar e sucessor dele na Presidência) iniciaram a reestruturação das instituições e o controle do monstro da inflação em um País então à beira da insolvência.
 
Lula, o presidente oriundo das camadas populares da sociedade, contribuiu com o aperfeiçoamento das políticas sociais e, agora, Dilma Rousseff encara a responsabilidade de lidar com outra grave crise econômica em meio à certa ebulição social.
 
Todos, como dito acima, tiveram seus erros e acertos, mas é inegável que o Brasil tem caminhado na consolidação da democracia.

O próprio impeachment de Collor foi um marco, pois ocorreu sem que significasse qualquer tipo de ruptura do regime. Lembro muito bem de ter saído às ruas de cara pintada e coração cheio da tal esperança equilibrista citada pelo genial Aldir Blanc.

 
As manifestações recentes são outra prova de que podemos um dia chegar à maturidade. Milhares de pessoas foram às ruas, livremente, dar voz às suas insatisfações ou prestar apoio ao governo. Até mesmo aqueles que pregam a volta do regime militar têm garantido o direito a se expressar, o que só comprova que a pior das democracias sempre será melhor que a melhor das ditaduras.
 
Como a mesma Dilma disse sobre as manifestações, “valeu a pena lutar pela liberdade”. E nós, que hoje desfrutamos dessa liberdade, ainda que imperfeita, só temos a agradecer àqueles que pagaram por ela com o próprio sangue.
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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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