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Bons “negósios”

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04.02.2015 - 17:05:18

Goiânia – O professor Aurélio Damião, da Paraíba, conseguiu comprar um celular com chip por R$ 1 por causa de um cartaz confuso afixado na loja. A intenção dele era “dar uma lição” no responsável pela propaganda mal feita. O cartaz, que anunciava “Chip a R$1 com aparelho” fez o gerente ter prejuízo e quase perder o emprego.

O autor do anúncio, obviamente, só queria dizer que se o cliente comprasse o celular na loja poderia adquirir o chip por um real. Mas não foi isso que ele expressou.

Esse não foi o único caso de anúncio desastrado que causou prejuízo. Placas, cartazes e propagandas de rádio e TV com utilização errada ou dúbia do vernáculo são comumente encontrados por aí.

Em 2001, as Casas Bahia se viram em uma encrenca quando lançaram o slogan “Quer pagar quanto?” De um lado, vários clientes que chegavam aos caixas querendo pagar cinco ou dez reais por uma TV ou geladeira. Do outro lado, funcionárias constrangidas e humilhadas ostentando broches com os dizeres. Uma delas ganhou uma ação por danos morais e recebeu indenização, por ter suportado piadas de teor sexual durante as promoções da loja.

Além de casos assim mais graves, que envolvem a justiça, existem os erros, digamos, inofensivos. Mas que não deixam de impactar e incomodar. Alguns são engraçados, outros de mau gosto. E agora, com os sites de anúncios gratuitos na internet, deixaram de ser exclusividade dos lojistas para encher nossos olhos a cada clique.

No OLX, por exemplo, as pessoas andam se desapegando de coisas como rak, guardaroupas, frízer, apartamento mobilhado, som compreto e vários outros produtos descritos sem o menor cuidado com a língua.

No Bom Negócio também existem várias pérolas, mas para que analisar os anúncios, se a própria propaganda do site já é um prato cheio?

“A cada um minuto quatro coisas vendem” é uma obra-prima dos maus tratos à língua portuguesa.

Primeiramente, a redundância: minuto só pode ser um. “A cada minuto”, assim como em “a cada hora”, e “a cada dia”, onde a inserção no numeral tornaria a oração estranha.

Agora o resto da frase: Quatro coisas vendem. Quatro coisas vendem o quê? Porque, dessa forma, “quatro coisas” é o sujeito do verbo vender, que necessita de um objeto.

Se as quatro coisas são vendidas, o correto seria “quatro coisas vendem-se”, onde o “se” é justamente a partícula apassivadora, que forma a voz passiva sintética.

Mas acredito que os erros não atrapalhem os negócios, porque eu, por exemplo, enquanto lia os anúncios por pura curiosidade acadêmica, acabei fazendo três compras. 

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por Leticia Borges

*Leticia Borges é especialista em Língua Portuguesa, jornalista, professora e palestrante.

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