A Redação
Goiânia – Homens mascarados, gritando "Allahu akbar!" (Deus é Grande!), invadiram o escritório do jornal satírico Charlie Hebdo nesta quarta-feira, matando 12 pessoas antes de fugirem. Foi o pior ataque terrorista na França em pelo menos duas décadas.
O caricaturista Jean Cabut, conhecido pelos leitores pelo nome de Cabu, e Stéphane Charbonnier, editor do jornal, que usava o pseudônimo Charb, estão entre os mortos. Dez jornalistas e dois policiais foram mortos. Um dos policiais havia sido designado para atuar como guarda-costas de Charb.
Confira lista parcial das vítimas do tiroteio:
Equipe da revista
Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, editor da revista
Jean Cabut, colaborador da revista
Georges Wolinski, cartunista
Bernard Maris, economista e colunista da revista
Bernard Verlhac, que assinava como Tignous, colaborador da revista
Visitante
Michel Renaud
Policiais
Frank D.
Ahmed Merabet
Conheça as vítimas:
Bernard Maris
Maris contribuía para a revista escrevendo uma coluna chamada "Oncle Bernard", na qual ele buscava explicar assuntos econômicos. "Esse foi um ato covarde e bárbaro contra a liberdade de expressão e àqueles que a defendem", afirmou o presidente do Banco da França, Christian Noyer. "Bernard Maris era um homem de coração, de cultura e de tolerância. Vamos sentir falta dele", acrescentou. Um keynesiano ferrenho, Maris foi nomeado para o conselho geral pelo banco central em 2011 e continuou escrevendo para jornais acadêmicos e para sua coluna no Charlie Hebdo, além de outras publicações. Ele também tinha um programa de rádio.
Bernard Maris (Foto: reprodução/internazionale.it)
Georges Wolinski
Aos 80 anos, Georges Wolinski era um mito dos quadrinhos. Influenciou dos nossos Henfil e Millôr até o insuspeito Mort Walker, o criador do Recruta Zero, passando por outros europeus como Magnus (codinome do italiano Roberto Raviola). Esteve no Brasil em 2007, quando foi jurado de um festival de cinema no Amazonas.
Georges Wolinski (Foto: Thesupermat / Wikimedia Commons)
Jean Cabut
Outro veterano, Cabu, faria 77 anos no próximo dia 13. Nascido em 1938 em Châlons-sur-Marne, Jean Cabut, o Cabu, era muito querido entre seus colegas e tinha integrado a redações da mítica Pilote, onde foi precursor dos chamados quadrinhos-reportagens. Ali criaria um dos anti-heróis mais conhecidos da BD francesa: Mon Beauf. Cabu desenhou para Ici Paris, Jazz Hot, Rock & Folk, Le Journal du dimanche, France-Soir, Paris-Presse, Le Figaro, Le Nouvel Observateur, Le Monde, Ciné Revue, Pariscope, Politique hebdo, La Grosse Bertha. E também, é óbvio, Le Canard enchaîné, onde se tornou um dos pilares a partir de 1982.
Jean Cabut (Foto: George Seguin / Wikimedia Commons)
Stéphane Charbonnier
Stéphane Charbonnier, que usava o nome artístico de Charb, tinha 43 anos e, além de cartunista, era também diretor da revista Charlie Hebdo. Colaborador de publicações como LEcho des savanes, Télérama, Fluide glacial e LHumanité, ele não aceitava pressões de nenhuma natureza e não aliviava no caráter satírico da revista. Em 2011, após um incêndio criminoso na sede da publicação, provavelmente provocado após a polêmica publicação das caricaturas de Maomé, ele disse ao Le Monde que não tinha nenhuma intenção de degolar alguém com uma caneta – em alusão aos métodos dos extremistas muçulmanos.
Stéphane Charbonnier (Foto: Ji Elle / Wikimedia Commons)
Bernard Verlhac
Bernard Velhac, o Tignous, tinha 58 anos e desenhara para diversas publicações importantes, como Fluide Glacial, lExpress, VSD, Télérama e Lhumanité!. Ele estreou nos quadrinhos com Pandas dans la brume, a partir de um comunicado da Associação de Proteção dos Animais que estimava não haver mais do que 1,6 mil ursos pandas no mundo.
Bernard Velhac (Foto: Coyau / Wikimedia Commons)