Catherine Moraes
O Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) conta hoje com sérios problemas na estrutura física. Os quatro elevadores estão todos estragados e a parte elétrica já não comporta os tomógrafos. As constatações são do Secretário Estadual de Saúde, Antônio Faleiros. Ele afirmou que, por esse motivo, a secretaria vai utilizar a verba de R$ 3,6 milhões, repassada pelo Ministério da Saúde, para reforma do hospital.
O dinheiro será entregue a 11 hospitais brasileiros por meio dos programas S.O.S Emergência e Melhor em Casa, lançados nesta terça-feira (8/11) pela presidente Dilma Rousseff (PT) em Brasília. Para a liberação, é necessário que o projeto seja aprovado pelo governo federal e, caso as necessidades ultrapassem o valor estipulado, uma nova quantia pode ser disponibilizada.
A elaboração do projeto goiano está sob responsabilidade das secretarias municipal e estadual de saúde e do próprio ministério. Está previsto ainda capacitação de profissionais. “Acredito que o primeiro projeto a ser entregue terá prioridade e, por esse motivo, queremos apresentar o do Hugo imediatamente. A agenda do ministro da Saúde (Alexandre Padilha) está cheia, mas a previsão é que ele nos receba no próximo dia 22.”, declara o secretário.
Leitos
Diariamente, cerca de 283 pacientes passam pela unidade de saúde, uma média mensal de 8,5 mil pessoas. O hospital conta hoje com 236 leitos e 48 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A grande demanda por vagas causa superlotação frequentemente.
“Não sei o motivo, mas as entidades da área médica foram omissas durante esses 23 anos. Desde que o Hugo foi construído ninguém pediu a implementação de novos leitos. Quando olham o Materno Infantil lotado é porque não construíram novos leitos de pediatria”, indigna-se o secretário.
A ampliação de leitos, entretanto, não está em pauta. De acordo com Faleiros a construção do Hugo 2, previsto para atender a Região Noroeste de Goiânia, vai distribuir os atendimentos que hoje se concentram no Hugo e resolver parte do problema.
Interdição
Uma vistoria realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) nos dias 26, 27 e 28 de outubro, apontou diversas irregularidades no hospital. Entre elas, a falta de médicos, equipamentos precários, falhas no sistema de limpeza, infiltrações no prédio e encanação entupida. Além disso, foi constatada escassez de materiais e a falta de medicamentos. Por fim, a única porta com proteção contra radiação do local está danificada.
Em uma reunião nesta terça-feira (8/11), a classe médica se reuniu para debater os problemas e estabelecer um prazo para que medidas sejam tomadas. Caso as medidas não sejam cumpridas dentro do prazo a ser determinado, o hospital pode sofrer uma interdição ética. Isso significa que os médicos podem deixar de atender, justificando falta de condições adequadas para prestar socorro. Por este motivo, eles não podem ser punidos.
Solução
Questionado sobre as medidas que serão tomadas, o secretário afirmou que a reforma física será feita com o dinheiro do governo federal. Quanto à contratação, afirmou que o estado tomou medidas para suprir a falta de profissionais. Como solução, ele apontou a contratação das Organizações Sociais (OS) que, segundo ele, vai agilizar contratações por exemplo, já que não precisam ser realizados concursos públicos, por exemplo, sendo feita por CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Sobre os problemas de limpeza, ele lembrou que foi uma greve deflagrada por funcionários da Coral, que trabalha de forma terceirizada para a unidade de saúde.