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Quando a série vira encheção de linguiça

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13.11.2014 - 11:57:04


Goiânia – Ontem assisti o penúlitmo episódio da sétima e final temporada de Californication. Estou mais que ansioso para ver o capítulo derradeiro da saga do escritor Hank Moody hoje de noite. Não para saber do desfecho de sua epopeia, mas para bater o último prego no caixão dessa série que já deveria ter acabado há umas duas ou três temporadas. Os caras estão esticando a corda de uma história que não tem mais razão alguma de existir.

Os diálogos estão forçados, as cenas de caos em que Hank se envolve têm gosto de comida amanhecida, não há mais coelhos para serem tirados daquela cartola. A série já acabou, mas se esqueceram de parar.

Você, sujeito inteligente que é, deve estar se perguntando: mas por que diabos ele ainda assiste algo que está constrangedoramente ruim? É meu maldito TOC. Ele não me deixa largar nada pela metade. Não consigo abandonar nada sem o desfecho. Não paro a leitura de um livro ruim enquanto não chega a última página, não saio do cinema com o filme pela metade quando ele é um lixo, não deixo de escutar um disco se as três ou quatro primeiras músicas são insuportáveis. Sei que o problema está comigo, mas não quero procurar um especialista para me tratar. Por isso continuo assistindo aquele grande equívoco que se tornou Californication.

Por isso que sou muito seletivo quando me recomendam uma série. Espero que boa parte das pessoas que confio no gosto a endossem, que a crítica a aclame, para somente aí cogitar assistir.

O compromisso com uma série é de muito tempo. Infindáveis horas serão gastas com aquela história e, se eu der um tiro errado, não conseguirei abandonar. Mas pode ter certeza que também não deixarei de xingar toda vez que perceber que estão enrolando no roteiro.

Eu já havia passado por isso outras vezes. Com Weeds e My name is Earl foi a mesma coisa. As séries começaram bem, empolgantes. Nas duas ou três primeiras temporadas, eu contava os minutos para que ver o próximo episódio. Quando a embromação deu as caras, sentia ódio de mim mesmo por não conseguir abandonar aquilo que havia se transformado em uma inegável chatice.

Com The Office, a enrolada não aconteceu. Os caras conseguiram manter a pegada por nove temporadas. Acompanhei tudo e não me senti enganado ou perdendo tempo. Eles permaneceram relevantes, inteligentes e criativos o tempo todo. A série seguiu sem barriga. Um exemplo.

Com o fim de Californication, vou tentar ser mais cuidadoso para começar a assistir outra série. O risco é enorme e não quero me sentir um trouxa novamente. Vamos ver se serei hábil na escolha.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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