“A idade não é fator preponderante, a pessoa pode cometer o crime com 12, 14 ou 20. Alterar a maioridade penal só vai mudar o efeito de prender mais ou menos, e isso não resolve. É preciso atuar nas causas da criminalidade”, justificou o delegado. De acordo com Kleyton, a educação e assistência familiar são a base para combater os índices tão alarmantes de violência que assolam o país.
(Mônica Araújo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO)
Depois de visitar os centros de internação e constatar tamanha precariedade e superlotação, a advogada diz que o Estado não tem condições de receber e lidar com o menor infrator, conforme mostrou a primeira parte da série ‘Recrutados pelo crime’.
“O ECA não é defasado, e sim o empenho de quem exerce o poder. A lei nunca foi cumprida em sua totalidade desde que foi criada, há 24 anos. Pedir a redução da maioridade penal antes mesmo de ver nosso estatuto em plenas condições de funcionamento é absurdo”, diz Mônica, com o estatuto em mãos.
Psicólogo e professor universitário, Altair José dos Santos conviveu durante três anos com menores reclusos no Centro de Internação de Adolescentes (CIA) para realizar um levantamento sobre o perfil do infrator homicida. Mais que dados e estatísticas anotados no papel, Altair José investigou os principais motivos que levam um adolescente ao crime. A conclusão é alarmante.
Apesar da baixa estatística, o psicólogo alerta que a discussão sobre uma possível redução da maioridade penal vai continuar dividindo opiniões por tempo indeterminado. Trata-se de uma questão de apelo social.
Segundo Altair José, a sociedade adota, esporadicamente, “uma figura odiável, objeto de canalização da vingança. Houve um tempo em que essa figura era o ‘tarado’, depois o pedófilo, assim sucessivamente. Hoje, o adolescente infrator é essa figura”, pontua o psicólogo.
De deputados ao governador, grande parte dos políticos eleitos em Goiás defendem a redução da maioridade penal. Prestes a iniciar seu quarto mandato a frente do governo de Goiás, Marconi Perillo parte do princípio de que a legislação deve acompanhar o desenvolvimento social.
O governador tece críticas não só ao ECA, como também a todo Código Penal. “A legislação precisa ser alterada imediatamente. Há dez anos, um adolescente de 17 anos pensava de um jeito. Hoje, um adolescente dessa idade tem outros pensamentos, totalmente diferentes”. O discurso foi feito durante apresentação de um relatório elaborado pela Superintendência de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO) sobre a reincidência dos criminosos responsáveis por chacinas registradas em Goiás.
(Delegado e deputado federal eleito Waldir Soares)
“Antes da aprovação dessa lei, precisamos da criação de novos presídios juvenis, separados por idade e pela natureza do crime. Defendo que esse adolescente tenha um sistema 'militarizado', com hora certa para acordar, exercício do corpo e da mente, trabalho e curso profissionalizante”, afirmou ao jornal A Redação logo depois de ser eleito.
Para Ronaldo Caiado, aliciamento de menores é inadmissível (Foto: Leo Oliveira/A Redação)
“O motivo é simples: não podemos mais admitir que o menor seja recrutado por quadrilhas que hoje estão preparadas para assaltar, roubar e traficar, e ficar por isso mesmo”, disse em entrevista ao AR.
“Pelo projeto, assim que completar seus 18 anos, o indivíduo que cumpre medida socioeducativa em regime fechado deve responder criminalmente pelo ato infracional. Ou seja, ele precisa ser condenado e cumprir sua pena. Essa é minha proposta”, explica.
O projeto precisa da maioria simples dos votos para ser aprovado, ou seja, 50% mais um. Depois de passar pela Câmara, ele deve tramitar no Senado.
Leia mais:
Precariedade dos centros de internação para menores em Goiás viola Estatuto
Menores em conflito com a lei: reincidência é desafio para conter violência