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Debate do SBT entre Aécio e Dilma mantém troca de ataques

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16.10.2014 - 22:56:37

A Redação

São Paulo – O debate entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT)  nesta quinta-feira (16/10) manteve o tom de troca de ataques verbais, como ocorreu no primeiro confronto do segundo turno, na terça-feira (14/10). Os presidenciáveis acusaram-se mutuamente de envolvimentos diretos ou inderetos em práticas de corrupção e nepotismo e voltaram a dizer que o adversário estava mentindo.

O segundo debate do segundo turno foi organizado e transmitido peloSBT e portal UOL e pela rádio Jovem Pan. O presidenciável tucano disse em várias oportunidades que Dilma "mente" e que a campanha dela produz ofensas contras os adversários. "Quem mente é o senhor", devolvia candidata à reeleição.


Depois de encerrado o debate, repórteres do SBT gravaram entrevistas com os candidato. Foi quando Dilma passou mal. acometida, aparentemente, por uma queda de pressão. Acudida pelos assessores, tomou um suco e se recuperou. Após se recompor e retomar a conversa com a repórter, Dilma comenta o mal estar e diz: "É assim que nós somos". Ao saber que seu tempo para falar havia se esgotado, a candidata afirma à repórter "Se é assim que você quer, assim será", sorrindo.


Dilma passa mal durante entrevista. (Foto: reprodução SBT)

 

Na abertura do debate, tanto Aécio como Dilma usaram estratégias testadas em outros confrontos. Aécio afirmou que o ciclo do PT no governo federal fracassou. "O Brasil é um cemitério de obras inacabadas", disse e criticou a condução da economia. Aécio propôs combater a inflação com "extrema firmeza e determinação". Colocou-se novamente como candidato não apenas do PSDB, mas de um "projeto generoso, de união e de integração nacional".

Dilma se colocou como representante do projeto que diminuiu a exclusão social. "Represento o projeto que construiu as bases para Brasil mais moderno, mais inclusivo e mais produtivo", disse Dilma. E repetiu querer continuar a criar oportunidades para todos.

Petrobras
Aécio fez a primeiro pergunta começando com o assunto "inevitável", ja que "a cada debate, é uma nova denúncia". "Segundo o TCU, foram encontradas irregularidades na Coperj. A senhora sempre diz que não sabe de nada. De quem é a responsabilidade de tandos desvios na Petrobras?", perguntou.

 
Questionada sobre as irregularidades da Petrobrás, a candidata Dilma Rousseff afirma que a Polícia Federal, ao contrário do passado, hoje tem poder de investigação e a Justiça irá julgar. "O Brasil terá a primeira vez um julgamento sistemática da corrupção. Eu perguntei no último debate e faço novamente: onde estão os corruptos do processo Sivam? Todos soltos. Onde estão os corruptos da privataria tucana? Todos soltos". A candidata continua: "Quem investiga não acha, candidato Aécio. Onde está a informação das verbas e quanto foi dado às rádios em Minas Gerais?".


(Foto: reprodução)
 
Em réplica, Aécio (PSDB) rebate: "Eu acredito e confio em nossas instituições. Todos esses casos a que a senhora se referiu foram investigados. Mas não vamos olhar para o passado, vamos olhar para o futuro. Onde estão os corruptos do seu partido? Estão presos. O tesoureiro está preso. O ministro da Casa Civil está preso. Não existe, me perdoe, uma terceira alternativa. Ou a senhora foi conivente, ou falhou na administração da Petrobras".
 
Dilma responde: "Candidato é estarrecedor que o senhor acha que essas pessoas que não foram condenadas em nenhum desses processos são inocentes. É diferente, elas não foram investigadas. Vocês chegaram a transferir no caso Pasta Rosa um delegado de um lugar para outro. Eu sou responsável por investigar com a Polícia Federal, denunciar com o Ministério Público e julgar com o Judiciário".

No segundo bloco, Dilma Rousseff (PT) faz a primeira pergunta e voltou a falar da Petrobras. "Há pouco, saiu uma notícia que diz que o ex-diretor da Petrobrás afirmou ao MP que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra recebeu propina para esvaziar uma CPI da Petrobrás. É muito fácil o senhor ficar aqui fazendo denúncias. O que importa? Importa é investigar. Importa saber como recebeu, quando recebeu e pra quem distribuiu".


(Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13)

"É uma diferença imensa entre nós dois. A investigação tem de ser feita a qualquer partido, sem defender. Pela primeira vez você dá importância às denúncias da Petrobras. Porém, parte do dinheiro ia para o tesoureiro do seu partido e ele não foi afastado. Agora, se a senhora não tem receio em ir a fundo, por que o seu partido e aliados impediram o Vaccari de ir dar explicações na CPI? Ele é o tesoureiro do seu partido e responsável pela verba de sua campanha. Todos os investigados devem ser punidos", disse o candidato Tucano.
 
Dilma replicou: "O senhor tem dois pesos e duas medidas. Pode ter certeza, sem nenhum constrangimento, investigarei tudo e todos. O senhor gosta muito de culpar a todos. Quando chega no ex-presidente do seu partido o senhor diz que tem de investigar o PT. Temos que investigar todos. Não é desta forma que o Brasil vai mudar sua postura".
 
"Investiguem todos. Mas seu discurso não condiz com a prática do seu governo, que impediu a CPI de ser instalada desde o início. Onde que estavam essas denúncias há 12 anos? E por que não tomaram nenhuma medida?", diz Aécio na tréplica.

Nepotismo

O momento mais quente do primeiro bloco foi a troca de acusações entre os dois em relação a nepotismo. Dilma disse nunca ter nomeado parentes e questionou Aécio se ele já empregou familiares.

Aécio respondeu com ironia sobre referência aos concursos públicos no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e lembrou que Dilma escreveu uma carta elogiando o ex-presidente. Sobre a questão de nepotismo, Aécio disse que sua irmã Andrea Neves trabalhou como voluntária no governo mineiro. "Nepotismo é proibido por lei. Ela assumiu cargo de voluntariado, que geralmente as esposas ocupam, entenda a lei", rebateu o tucano.

Aécio citou ainda, dizendo "lamentar trazer isso para o debate", o irmão de Dilma, Igor Rousseff, que segundo ele foi contratado pelo então prefeito de Belo Horizonte e correligionário da presidente Fernando Pimentel. "Ele não apareceu um dia para trabalhar. Essa é a nossa diferença, minha irmã trabalha muito e não recebe nada, seu irmão não trabalha e recebe muito."

Dilma, por sua vez, listou um tio, uma irmã, três primos e três primas empregados por Aécio em Minas, dizendo que todos esses casos não foram explicados pelo candidato do PSDB. A petista apontou que, apesar de Andrea Neves ter assumido cargo de voluntária, era responsável por verbas de comunicação do governo mineiro, e perguntou por que não foi esclarecida a acusação de favorecimento de veículos de comunicação da família de Aécio. "Todo mundo sabe que ela era responsável pela destinação de verbas relativas a propaganda. Quanto vocês colocaram nas três rádios e jornal que vocês possuem?", pressionou Dilma.

"Atendi a reivindicação histórica das empresas de radiodifusão, todas as empresas de rádio receberam as mesmas verbas no meu governo", defendeu Aécio ao argumentar que a suposta irregularidade na destinação de verbas foi denunciada pelo PT e o Ministério Público não comprovou qualquer malfeito. 

Segurança
Ainda no segundo bloco, Aécio afirma que 24 jovens adolescentes e jovens morrem todos os dias e que programas iniciados no governo petista, como o combate ao crack com o projeto "Crack, É Possível Vencer", não tiveram resultados. E pergunta: "Como o seu governo pretende combater a criminalidade e a violência de forma eficaz?".
 
A candidata petista disse que a questão sobre violência contra jovens tem de ser tratada de forma integral. "Temos empenho nisso, maior que foi o empenho do senhor. Fizemos toda uma política de combate à violência contra os jovens, baseada em três aspectos. É necessário prevenir, garantir aos jovens defesa e, finalmente, é fundamental que o governo coloque na pauta toda uma questão relativa ao combate à violência, às drogas, pra que o jovem não seja um objeto fácil." 
 
Em réplica, o candidato Aécio afirmo que os programas do atual governo fracassaram. "Onde está a política de controle das nossas fronteiras? A Polícia Federal e Rodoviária estão sucateadas. A senhora prometeu quatro drones, aviões não tripulados, e apenas dois funcionam para guardar nossas fronteiras", criticou o tucano.
 
A candidata do PT defendeu sua gestão. "O senhor está mal informado. O governo federal gastou R$ 16 bilhões em segurança nos últimos quatro anos. Foi uma operação conjunta. As forças armadas garantiram um nível de repressão nas nossas fronteiras em um nível impressionante. Eu quero que o governo participe".

Lei Seca

Ainda no segundo bloco, Dilma observa que todos os anos 40 mil pessoas morrem ou sofrem acidentes de trânsito. "Em 2012, eu sancionei a Lei Seca. Eu gostaria de saber o que senhor acha da lei e se todo o cidadão que for questionado deve fazer o exame do bafômetro e, se negar, deve ser submetido ao exame anti-doping".
 
O candidato do PSDB criticou a forma de perguntar da petista. "Tenha coragem de fazer a pergunta direta. É claro que é uma iniciativa extraordinária. A senhora tenta deturpar um assunto que deve ser lidado com maior clareza. Eu tive um episódio sim, em que me recusei a fazer o teste do bafômetro. Minha carteira estava vencida. Eu me arrependi, diferente da senhora que não se arrepende de nada. Vamos falar de coisa séria, de como melhorar a vida das pessoas. Não é possível que a senhora queira fazer a campanha mais suja que já se viu. Quando a senhora ofende a mim, ofende a minha família, a senhora ofende todos os brasileiros que querem mudança. A senhora não trouxe durante todo este debate uma proposta sequer. A senhora parece que não foi presidente da República. Olhe para frente".


(Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda Brasil)
 
"Eu acho muito importante a Lei Seca para o Brasil e acho que o senhor está tentando diminuí-la. Todos os dias, pessoas morrem por conta de um motorista que dirigia embriagado. Não é porque o senhor que passou por uma experiência própria que pergunto isso, mas porque acredito que ninguém pode dirigir sob efeito do álcool ou drogado. Por isso que acredito que a Lei Seca é de importância para o debate político", afirma a candidata petista em réplica. 
 
Em tréplica, Aécio (PSDB), afirma: "Tampouco eu. Seja correta, seja séria. Mentir e insinuar acusações como essa é indigno para um cidadão e é indigno para uma presidente da República. A sua campanha é a campanha da mentira. Fale a verdade. O Brasil não merece a campanha que a senhora quer fazer".

Aeroporto

A candidata Dilma Rousseff questiona sobre o aeroporto de Cláudio mais uma vez. "O Brasil hoje passa por um momento importante de ampliar os investimentos em aeroportos. O governo de Minas tem de revelar a informação: Como o aeroporto de Cláudio, uma cidade de 25 mil habitantes, foi construído dentro da família de seus parentes?", questiona.

O candidato tucano responde: "O aeroporto de Claudio foi construído em uma área desapropriada, de interesse social. Vamos falar do governo federal, a menos que a senhora queira ser candidata ao governo de Minas. Todas as minhas obras tiveram aprovação do Tribunal de Contas, ao contrário das suas, todas com sobrepreço. É muito grave o que está acontecendo com o Brasil. Tenho uma vida pública honrada, respeitada. Minas Gerais novamente se encaminha para me dar mais uma vitória, bsata ver mais uma pesquisa. Os mineiros sabem o que fazem, vamos discurtir o Brasil".


"Eu teria muita horna de ser candidata ao governo de Minas Gerais. Mas no caso de aeroporto de Cláudio o senhor deve sim explicações. Construiu em terreno familiar e quando a imprensa procurou o aeroporto, a chave se encontrava na casa de um partente seu. Não podemos usar os recursos públicos em benefício próprio, candidato Aécio", afirma Dilma em réplica ao assunto dos aeroportos.

Considerações finais
Nas considerações finais, Dilma afirmou que os governos passados "só viam as elites", mas que a gestão dela "olha para todos os brasileiros". Disse que o Brasil enfrentou a crise internacional "de peito aberto" e prometeu saúde e educação de qualidade e manter a "trajetória de conquistas sociais a todos".

O candidato Aécio Neves agradeceu à emissora e cumprimenta a candidata petista. "O Brasil não pode viver mais quatro anos de desgoverno, quero assumir a Presidência para enfrentar a criminalidade, e não transferir a responsabilidade aos Estados e Municípios; quero enfrentar a inflação, e não apenas me conformar com ela. Quero ser um presidente para que amanhã, se eventualmente estiver em outra disputa, possibilitar os candidatos opositores apresentar as suas propostas. A senhora ou quem quer que esteja receberá um olhar altivo e não calúnias para destruir o opositor a qualquer custo", finaliza o tucano.

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por Leandro Coutinho

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