A Redação
São Paulo – O debate entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) nesta quinta-feira (16/10) manteve o tom de troca de ataques verbais, como ocorreu no primeiro confronto do segundo turno, na terça-feira (14/10). Os presidenciáveis acusaram-se mutuamente de envolvimentos diretos ou inderetos em práticas de corrupção e nepotismo e voltaram a dizer que o adversário estava mentindo.
O segundo debate do segundo turno foi organizado e transmitido peloSBT e portal UOL e pela rádio Jovem Pan. O presidenciável tucano disse em várias oportunidades que Dilma "mente" e que a campanha dela produz ofensas contras os adversários. "Quem mente é o senhor", devolvia candidata à reeleição.
Depois de encerrado o debate, repórteres do SBT gravaram entrevistas com os candidato. Foi quando Dilma passou mal. acometida, aparentemente, por uma queda de pressão. Acudida pelos assessores, tomou um suco e se recuperou. Após se recompor e retomar a conversa com a repórter, Dilma comenta o mal estar e diz: "É assim que nós somos". Ao saber que seu tempo para falar havia se esgotado, a candidata afirma à repórter "Se é assim que você quer, assim será", sorrindo.
Dilma passa mal durante entrevista. (Foto: reprodução SBT)
Na abertura do debate, tanto Aécio como Dilma usaram estratégias testadas em outros confrontos. Aécio afirmou que o ciclo do PT no governo federal fracassou. "O Brasil é um cemitério de obras inacabadas", disse e criticou a condução da economia. Aécio propôs combater a inflação com "extrema firmeza e determinação". Colocou-se novamente como candidato não apenas do PSDB, mas de um "projeto generoso, de união e de integração nacional".
Dilma se colocou como representante do projeto que diminuiu a exclusão social. "Represento o projeto que construiu as bases para Brasil mais moderno, mais inclusivo e mais produtivo", disse Dilma. E repetiu querer continuar a criar oportunidades para todos.
Petrobras
Aécio fez a primeiro pergunta começando com o assunto "inevitável", ja que "a cada debate, é uma nova denúncia". "Segundo o TCU, foram encontradas irregularidades na Coperj. A senhora sempre diz que não sabe de nada. De quem é a responsabilidade de tandos desvios na Petrobras?", perguntou.
(Foto: reprodução)
No segundo bloco, Dilma Rousseff (PT) faz a primeira pergunta e voltou a falar da Petrobras. "Há pouco, saiu uma notícia que diz que o ex-diretor da Petrobrás afirmou ao MP que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra recebeu propina para esvaziar uma CPI da Petrobrás. É muito fácil o senhor ficar aqui fazendo denúncias. O que importa? Importa é investigar. Importa saber como recebeu, quando recebeu e pra quem distribuiu".
(Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13)
Nepotismo
O momento mais quente do primeiro bloco foi a troca de acusações entre os dois em relação a nepotismo. Dilma disse nunca ter nomeado parentes e questionou Aécio se ele já empregou familiares.
Aécio respondeu com ironia sobre referência aos concursos públicos no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e lembrou que Dilma escreveu uma carta elogiando o ex-presidente. Sobre a questão de nepotismo, Aécio disse que sua irmã Andrea Neves trabalhou como voluntária no governo mineiro. "Nepotismo é proibido por lei. Ela assumiu cargo de voluntariado, que geralmente as esposas ocupam, entenda a lei", rebateu o tucano.
Aécio citou ainda, dizendo "lamentar trazer isso para o debate", o irmão de Dilma, Igor Rousseff, que segundo ele foi contratado pelo então prefeito de Belo Horizonte e correligionário da presidente Fernando Pimentel. "Ele não apareceu um dia para trabalhar. Essa é a nossa diferença, minha irmã trabalha muito e não recebe nada, seu irmão não trabalha e recebe muito."
Dilma, por sua vez, listou um tio, uma irmã, três primos e três primas empregados por Aécio em Minas, dizendo que todos esses casos não foram explicados pelo candidato do PSDB. A petista apontou que, apesar de Andrea Neves ter assumido cargo de voluntária, era responsável por verbas de comunicação do governo mineiro, e perguntou por que não foi esclarecida a acusação de favorecimento de veículos de comunicação da família de Aécio. "Todo mundo sabe que ela era responsável pela destinação de verbas relativas a propaganda. Quanto vocês colocaram nas três rádios e jornal que vocês possuem?", pressionou Dilma.
"Atendi a reivindicação histórica das empresas de radiodifusão, todas as empresas de rádio receberam as mesmas verbas no meu governo", defendeu Aécio ao argumentar que a suposta irregularidade na destinação de verbas foi denunciada pelo PT e o Ministério Público não comprovou qualquer malfeito.
Lei Seca
(Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda Brasil)
Aeroporto
O candidato tucano responde: "O aeroporto de Claudio foi construído em uma área desapropriada, de interesse social. Vamos falar do governo federal, a menos que a senhora queira ser candidata ao governo de Minas. Todas as minhas obras tiveram aprovação do Tribunal de Contas, ao contrário das suas, todas com sobrepreço. É muito grave o que está acontecendo com o Brasil. Tenho uma vida pública honrada, respeitada. Minas Gerais novamente se encaminha para me dar mais uma vitória, bsata ver mais uma pesquisa. Os mineiros sabem o que fazem, vamos discurtir o Brasil".
"Eu teria muita horna de ser candidata ao governo de Minas Gerais. Mas no caso de aeroporto de Cláudio o senhor deve sim explicações. Construiu em terreno familiar e quando a imprensa procurou o aeroporto, a chave se encontrava na casa de um partente seu. Não podemos usar os recursos públicos em benefício próprio, candidato Aécio", afirma Dilma em réplica ao assunto dos aeroportos.
Considerações finais
Nas considerações finais, Dilma afirmou que os governos passados "só viam as elites", mas que a gestão dela "olha para todos os brasileiros". Disse que o Brasil enfrentou a crise internacional "de peito aberto" e prometeu saúde e educação de qualidade e manter a "trajetória de conquistas sociais a todos".
O candidato Aécio Neves agradeceu à emissora e cumprimenta a candidata petista. "O Brasil não pode viver mais quatro anos de desgoverno, quero assumir a Presidência para enfrentar a criminalidade, e não transferir a responsabilidade aos Estados e Municípios; quero enfrentar a inflação, e não apenas me conformar com ela. Quero ser um presidente para que amanhã, se eventualmente estiver em outra disputa, possibilitar os candidatos opositores apresentar as suas propostas. A senhora ou quem quer que esteja receberá um olhar altivo e não calúnias para destruir o opositor a qualquer custo", finaliza o tucano.