Dallas City (EUA) – Autoridades em Dallas estão procurando por um homem sem-teto que pode ter tido contato com o paciente diagnosticado com o vírus Ebola nos EUA, afirmaram autoridades neste domingo (5/10). O sem-teto não é considerado como uma das 10 pessoas que realmente tiveram contato com Thomas Eric Duncan, que está internado em situação de saúde grave em um hospital de Dallas após ter viajado para os EUA da Libéria, um dos países do Oeste da África mais atingidos pela epidemia de Ebola.
O sem-teto é parte de um grupo de 38 pessoas que podem ter estado perto de Duncan quando ele mostrou os sintomas da doença, disseram as autoridades. O juiz de Dallas Clay Jenkins disse que o homem é um "indivíduo de baixo risco".
As autoridades monitoraram ele um dia antes, mas querem medir sua temperatura regularmente para ter certeza que não está com febre, um possível sintoma da infecção do Ebola. "Nós estamos trabalhando para localizá-lo e deixá-lo confortável um lugar ponde possamos monitorá-lo e cuidar deles se necessário", afirmou Jenkins, acrescentando que a busca pelo homem era de precaução.
O grupo de 10 pessoas é composto por sete funcionários de saúde e três membros da família ou contatos da comunidade, afirmou Tom Frieden, diretor do Centro Federal para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Pânico
Ubania Cortez acompanhou com alarme na terça-feira (30/9) o anúncio de que o primeiro caso de Ebola diagnosticado nos Estados Unidos havia sido registrado em Dallas, cidade para a qual se mudou há 11 anos vinda de Guanajuato, no México. Mas só soube que o paciente portador do vírus havia se hospedado do outro lado de sua calçada quando as equipes de TV chegaram ao local, no dia seguinte.
"Nós não sabíamos que estava tão perto", disse Cortez ao Estado no jardim de seu conjunto residencial. O apartamento onde o liberiano Thomas Duncan permaneceu por quase uma semana fica a cerca de 100 metros de sua casa, em uma região habitada principalmente por latinos, negros americanos e refugiados e imigrantes africanos.
Só no complexo onde ele se hospedou – chamado Ivy Apartments – vivem pelo menos oito nacionalidades. O local se transformou no epicentro do temor do Ebola nos Estados Unidos. Os acenos à distância ganharam terreno, em substituição a apertos de mão e abraços, que trazem o risco do contato com os temidos fluidos corporais, entre os quais está o suor.
Sintomas
Na sexta-feira (3/10), helicópteros contratados por redes de TV sobrevoavam o local para registrar as imagens da retirada de objetos contaminados do apartamento onde Duncan manifestou os sintomas do Ebola, que incluem febre, vômito e diarreia. Até então, as quatro pessoas que mais contato tiveram com ele permaneciam em quarentena no local, vigiadas por policiais que as impediam de sair e de receber visitas. O grupo era composto de Louise Troh, namorada de Duncan, sua filha adolescente e dois sobrinhos.
Na sexta-feira, eles foram transferidos para um local não identificado em Dallas. Durante todo o dia, homens vestidos dos pés à cabeça com macacões amarelos e portando luvas verdes tentavam extinguir os eventuais vestígios do Ebola no apartamento. Toda a região do Ivy Apartments vive o impacto da presença do paciente no local.
Duncan chegou a Dallas no dia 20, vindo da Libéria. Cinco alunos de quatro escolas nas proximidades do condomínio tiveram contato com o liberiano e receberam a orientação de ficar em casa por 21 dias, período de incubação do vírus. Joel Reina, filho de 15 anos de Cortez, estuda em uma delas. "A escola foi desinfetada e todo mundo carrega álcool em gel", disse o adolescente. (Agência Estado/Associated Press)