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Dudalina se une à dona da Le Lis Blanc

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03.10.2014 - 09:24:00

São Paulo – A Restoque, dona das marcas Les Lis Blanc, Bo.Bô., John John e Rosa Chá, e a Dudalina, conhecida pelas camisas sociais, anunciaram, na quinta-feira (2/10), a fusão de seus negócios, criando a maior varejista do segmento classificado como "luxo acessível" no País.

Em comunicado, a Restoque informou que vai incorporar 100% das ações da Dudalina, emitindo um novo lote de ações. Ao fim deste processo, cada empresa terá 50% da "nova" Restoque. As duas companhias, juntas, somaram no ano passado receita líquida de R$ 1,149 bilhão e lucro líquido de R$ 91,8 milhões.

Embora a Restoque tenha mais do que o dobro do número de lojas da camisaria, o jornal O Estado de S. Paulo apurou que a Dudalina deverá ser a "mandante" da fusão, porque apresenta margem de lucro bem superior, além de ter forte presença em multimarca, que representam hoje mais de 50% de seu faturamento.

A aposta é de que Sonia Hess de Souza, presidente e filha da fundadora da Dudalina, vá para o Conselho de Administração em 2015. Por enquanto, Sonia e Livinston Bauermeister, da Restoque, vão dividir o comando da operação. Uma fonte de mercado disse que, provavelmente, um novo executivo será trazido para assumir a gestão. Esse novo administrador deverá assumir a missão de buscar outras aquisições para a Restoque dentro da categoria de "luxo acessível".

A expectativa dentro da "nova" Restoque para 2015 é de que a companhia atinja um valor de mercado de R$ 4 bilhões, receita de R$ 1,5 bilhão e lucro líquido de R$ 300 milhões. A meta da companhia é abrir pelo menos 30 unidades ao longo do próximo ano. O mercado recebeu bem a notícia da união. Ontem, as ações da Restoque fecharam em alta de 10,6%, cotadas a R$ 8,96.

Troca de benefícios
A valorização dos papéis da Restoque, que está na BM&FBovespa desde 2008, reflete a visão do mercado de que a companhia é a "vencedora" da união com a Dudalina. Embora o resultado da empresa tenha melhorado nos últimos trimestres, com o negócio saindo dos prejuízos registrados nos últimos dois anos, a opinião de fontes do setor é de que sua operação era menos "redonda".

Depois de empreender um acelerado processo de expansão a partir de 2010, financiada pelo fundo Artesia, seu controlador, a empresa teve de colocar o pé no freio a partir de 2012, quando alguns projetos – como o da bandeira masculina Le Lis Noir e a Beauty, de cosméticos – começaram a naufragar e tiveram de ser abandonados.

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, a Restoque poderá ser beneficiada ao adotar processos industriais e de distribuição da Dudalina, que são considerados bastante eficientes. Ao contrário da Dudalina, que trabalha de forma verticalizada e tem produção própria, a Restoque terceiriza a confecção de suas peças. Parte dos produtos é importada da China.

Peso do endividamento
Ao incorporar a Dudalina e aumentar de tamanho, a Restoque também diminuiu o peso das dívidas no balanço. "Precisamos lembrar que as dívidas da Restoque (antes do negócio) estavam em quase R$ 400 milhões, disse Douglas Carvalho Júnior, sócio da Target Advisor, butique de fusões e aquisições especializada em varejo.

Além do acesso a processos mais eficientes, a Restoque também ganha dois sócios de bolsos fundos: os fundos Advent e Warburg Pincus, que se uniram para comprar uma fatia majoritária da Dudalina no fim do ano passado. O negócio teria movimentado R$ 800 milhões, segundo dados extraoficiais. Já as vantagens para a rede de camisarias são vistas como marginais.

Para um especialista no setor de moda, a rede poderá lucrar com a visão mais moderna de produto da Restoque e também aproveitar alguns pontos de venda, que poderão ser convertidos em lojas Dudalina.

Alternativas
A união de Dudalina e Restoque surpreendeu o mercado financeiro, até porque foi costurada rapidamente, ao longo do último mês, apurou a reportagem. O Itaú BBA assessorou o negócio. Antes de iniciar as conversas com os controladores da Dudalina, a Restoque havia conversado com outra "consolidadora" de marcas, a InBrands, dona de redes como Ellus, Richards e Salinas, mas não conseguiu costurar um acordo.

Para Carvalho, da Target Advisor, a busca ativa por um sócio mostra que a capacidade de a Restoque crescer organicamente estava perto do limite, por causa da limitada capacidade de investimento. "A empresa precisava dar uma resposta rápida ao mercado após essa tratativa frustrada com a InBrands", afirmou o especialista. "E não poderia fazer melhor do que uma transação como essa." (Agência Estado)

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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