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Zé Roberto avisa que Mundial de Vôlei feminino será imprevisível

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22.09.2014 - 09:53:05

São Paulo – Bicampeã olímpica, a seleção brasileira feminina de vôlei ainda persegue o ouro no Mundial. Nesta terça-feira (23/9), contra a Bulgária, em Trieste, na Itália, o time começará uma nova busca pelo título.

O técnico José Roberto Guimarães, de 60 anos e há 11 no comando do Brasil, foi vice nas duas últimas edições do torneio, perdendo em ambas para a Rússia. Ele sabe que há uma lacuna na galeria da seleção, que atualmente domina o cenário do vôlei feminino, mas adverte: este é o Mundial mais imprevisível dos últimos anos.

Agência Estado – O Brasil ganhou o décimo título do Grand Prix com só uma derrota e teve boas apresentações. O quanto a equipe ganhou de confiança para o Mundial?
José Roberto Guimarães – É fato que tivemos boas apresentações no Grand Prix, mas também encontramos dificuldades. Perdemos para a Turquia (por 3 sets a 2), já em Tóquio (na fase final). Só fomos campeões por causa do banco. Os dois sets que vencemos da Turquia deram o ponto que nos garantiu a diferença final sobre o Japão (o segundo colocado). O mais importante é que a gente não tem apenas sete jogadoras, mas 14 do mesmo nível.

Ter um elenco amplo é garantia de maior tranquilidade?
É muito importante, principalmente em um campeonato de 13 jogos (até a final do Mundial). É preciso ter um elenco muito bom para que as responsabilidades sejam divididas. Ficou este ensinamento do Grand Prix: temos um bom time, mas precisamos aferir, ajustar sempre.

Além da contribuição das reservas, o Grand Prix mostrou a evolução de titulares como Camila Brait e Jaqueline. Como você avalia o momento delas?
A Camila já estava sendo preparada para ser titular, mas é diferente quando você vira a primeira (com a aposentadoria da Fabi). E ela não se intimidou. Botou a cara, fez o melhor que podia e o time assimilou bem a entrada dela. Já a Jaqueline, depois da gravidez, apresentou-se muito bem, com grande naturalidade nos fundamentos. Ela trouxe um suporte enorme para o nosso time, equilibrou o passe e a defesa e ainda nos ajudou muito no ataque.

O Mundial terá início na terça-feira. Qual a avaliação dos primeiros adversários, antes do primeiro dia de descanso?
No ano passado, a Bulgária foi o único time que nos derrotou. Tem ótimas atacantes. A gente sempre sofre contra elas, então já estou me preparando. A primeira partida, abertura do Mundial… Vai ser difícil e temos de estar bem para vencê-las. Depois, enfrentamos Camarões e Canadá, que não figuram entre as melhores seleções do mundo, mas temos de ter respeito, jogar bem, ganhar ritmo e vencer.

E a primeira fase termina com Turquia e Sérvia…
A Turquia nos venceu no Grand Prix, tem um bom volume de jogo e conta com uma jogadora que está atravessando um bom momento, a Gozde (Sonsirma, ponta). Também tem a levantadora, a Naz, com quem tive a oportunidade de trabalhar por dois anos na Turquia (no Fenerbahçe). É uma das melhores do mundo. Vai ser um jogo muito complicado. Depois, enfrentamos a Sérvia, que sempre teve problemas em grandes competições por não ter o elenco completo. Se tiver, será perigosíssima.

Não é um grupo fácil, certo?
Teremos três jogos fundamentais, difíceis, contra rivais que podem seguir até a fase final. Então, o início será muito importante. Nosso grupo é complicado, mas vamos para a segunda fase, só não sei em que posição (passam quatro das seis seleções). Aí pegamos Rússia, Estados Unidos e Tailândia, talvez a Holanda. De oito times, só se classificam três (para a terceira fase). Estamos no grupo da morte, o mais difícil.

E o regulamento, que faz valer os resultados da primeira e da segunda fases?
Isso é cruel, é extremamente cruel. Mas fazer o quê? O problema na segunda fase é que há a soma de pontos, em que só se descartam os resultados contra os times eliminados, que não se classificaram na primeira fase. Vai ser difícil e eu estou muito preocupado, porque levar resultado é sempre problemático, não tenha dúvida.

A oposto Gamova respondeu, via redes sociais, o seu comentário de que ela recebeu um caminhão de dinheiro para voltar à seleção russa. Essa polêmica dá mais combustível para o clássico que decidiu os dois últimos Mundiais?
Nessa história da Gamova, eu perdi uma grande chance de ficar calado. Não precisava disso. Eu conversava com um jornalista amigo, era um comentário, mas outro repórter ouviu e publicou. São coisas que acontecem, não era uma entrevista. Mas não acho que isso terá grande repercussão. A Gamova sempre adorou jogar contra o Brasil. Ela é uma grande atleta, uma das maiores atacantes do mundo, foi a melhor de 2010. Enfrentá-la é sempre uma dificuldade e mais uma vez será grande.

Você concorda que Brasil, China, Rússia e Estados Unidos são os favoritos ao título?
Não, não concordo. Temos times do outro lado (da chave) com os quais é preciso tomar cuidado. Além da China, temos o Japão, que evoluiu e quase ganhou o seu primeiro Grand Prix. A Itália vai jogar em casa, amparada por sua torcida, é um time perigoso. A Alemanha tem jogado de igual para igual com todo mundo. A Croácia é um bom time, que não se pode subestimar. A verdade é que este é um Mundial atípico. Tudo pode acontecer.

A sua avaliação, então, é de que este Mundial será mais difícil do que os anteriores, em que o Brasil foi vice-campeão?
Eu acho. Este está muito mais equilibrado. Estamos respeitando muito todo mundo. É um campeonato atípico pela quantidade de jogos, pelo grupo que nós pegamos na primeira fase, pelo que vamos pegar na segunda fase. Eu confio no time, acho que estamos nos preparando bem, mas volto a dizer que tudo pode acontecer. Vamos pensar jogo a jogo, adversário a adversário, e fazer o nosso trabalho, que é jogar como um time.

Você já disse que a prioridade é a Olimpíada do Rio. O que significa o Mundial no percurso até 2016?
Ele está dentro do contexto, é um campeonato importante, o segundo em grandeza. É um título que a gente não tem, mas estamos nos preparando para os Jogos Olímpicos, que têm uma importância maior. O Mundial está no meio do caminho. Mas, para mim, o campeonato mais importante é sempre o próximo. É um desafio também, é no que vamos pensar no momento. A Olimpíada é daqui a dois anos, mas tudo serve como preparação. (Agência Estado)

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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