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Violência

Dois manifestantes morrem durante protestos contra Maduro

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas | 19.04.17 - 19:59 Dois manifestantes morrem durante protestos contra Maduro (Foto: Fernando Tiburcio)

Caracas - Dezenas de milhares de pessoas foram, nesta quarta-feira (19/4), às ruas de Caracas e outras cidades da Venezuela para protestar contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Ao menos dois manifestantes morreram, um na capital e outra em San Cristóbal, no Estado de Táchira. Em resposta, o chavismo organizou um ato em Caracas de apoio a Maduro, que, por sua vez, convidou a oposição ao diálogo.
 
Na capital, um jovem de 17 anos identificado como Carlos José Moreno levou um tiro e foi levado a um hospital, onde morreu durante uma cirurgia. “Ele estava em um ponto da concentração da oposição e recebeu um tiro disparado por um dos agentes motorizados que antes jogavam bombas de gás de pimenta”, disse o presidente do Hospital Clínicas Caracas, Amadeo Leiva. 
 
Em Táchira, perto da fronteira com a Colômbia, uma mulher de 24 anos morreu após ser baleada, informaram parentes e testemunhas. Ao menos 30 pessoas foram presas nesta quarta “por planos de causar violência nos protestos”.

Pouco depois dos primeiros relatos de confrontos durante as marchas, a procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega, que nos últimos meses vem se distanciando da cúpula chavista, prometeu receber denúncias contra o governo de abusos contra o direito à livre manifestação. 
 
Em meio a críticas a líderes opositores como Henry Ramos Allup e o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, Maduro voltou a convidar a oposição a dialogar pela paz institucional e nomeou uma comissão para preparar uma oferta. Em outras duas oportunidades, diálogos similares fracassaram. 
 
“Convido a oposição nas próximas horas a ouvir uma proposta que tenha a fazer-lhes”, disse Maduro. “Que depois não digam que não os escutei.”

 

(Foto:  Fernando Tiburcio)
 
A Guarda Nacional Bolivariana (GNB) dispersou, com bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha, dos manifestantes que tentavam chegar ao prédio da Defensoria Pública, no oeste da capital - área majoritariamente chavista. A GNB, no entanto, permitiu que os manifestantes ocupassem a autopista Francisco Fajardo, via expressa que é a principal ligação entre as duas zonas da cidade, raramente aberta a manifestações. 
 
Nas últimas semanas, a oposição, liderada pela coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD), organizou atos similares, que acabaram com ao menos cinco mortos. A série de protestos começou depois de o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), alinhado ao chavismo, anular os poderes da Assembleia Nacional e decidir assumir as funções do Congresso. A Corte suspendeu a decisão, mas isso não impediu a oposição de convocar protestos denunciando um autogolpe chavista contra o Legislativo. 
 
A MUD exige a realização das eleições regionais, que deveriam ter sido organizadas em dezembro. Maduro diz que cabe à Justiça eleitoral convocar a votação. Além disso, os opositores querem autonomia para a Assembleia Nacional e a libertação de seus líderes presos pelo governo. 

Crise
A Venezuela vive desde 2013 uma grave crise econômica provocada pela escassez de divisas em moeda forte e agravada pela queda no preço do petróleo no mercado internacional. Para conter a falta de dólares, o governo restringiu a venda da divisa ao setor privado. Como a Venezuela importa a maior parte do que é necessário para produzir alimentos e bens de primeira necessidade, isso provocou escassez e inflação. 
 
Entre os manifestantes que estão nas ruas hoje, estão opositores de classe média e também de setores mais populares, descontentes com o chavismo. 
 
Nos últimos dois anos, a falta de dólares se agravou e a escassez, que antes afetava produtos da cesta básica e higiene, se espalhou para o serviço de saúde, que não conta com remédios e material para exames.

Repercussão
O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou nesta quarta que os EUA acompanham de perto e com preocupação a situação na Venezuela. “O governo Maduro não deixa que a voz da oposição seja ouvida”, disse Tillerson.
 
Em Miami, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, o uruguaio Luís Almagro, voltou a criticar o governo venezuelano. “A Venezuela está se tornando uma ditadura completa”, disse o diplomata. “O governo Maduro está negando direitos humanos básicos para a população e só se preocupa em manter o poder.” /AP, AFP e REUTERS. (Agência Estado)
 


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