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Entrevista

Karina Buhr: "gosto de poder pirar nos shows"

Cantora apresentou músicas dos dois álbuns | 09.11.12 - 11:22 Karina Buhr: "gosto de poder pirar nos shows" (Foto: Diego Ciarlariello)
Raisa Ramos
 
Desde a estreia solo com o disco "Eu Menti Pra Você", lançado em 2010, a cantora Karina Buhr coleciona prêmios e elogios no currículo. Com o primeiro álbum, a pernambucana apareceu nas listas dos melhores discos do ano das revistas Rolling Stone e Billboard, além do jornal Folha de S. Paulo, e abocanhou o prêmio de artista do ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). O segundo disco, "Longe de Onde", não desapontou a crítica e consagrou Karina como uma das cantoras mais importantes da nova geração. 
 
Gravado em 2011 pelo projeto Natura Musical, o segundo álbum manteve a pernambucana na lista dos 10 melhores discos da revista Rolling Stone e conquistou posições nos rankings de melhor show dos jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo. Com maquiagem e roupas extravagantes, Karina diz vestir o que acha confortável. "Gosto de pirar no show, pular, me jogar no chão", contou em entrevista ao A Redação.
 
Finalmente em Goiânia, depois de fazer shows no Brasil e no exterior, inclusive no festival dinamarquês Roskilde, a cantora foi a penúltima atração de sábado do 18º Goiânia Noise Festival, evento que começou na sexta-feira (9/11) e se encerra neste domingo (11/11). Comparada a Patti Smith e aos Mutantes, Karina Buhr traz seu jeito irreverente e sem fofuras para o palco do festival, onde cantará faixas tanto do primeiro quanto do segundo disco.
 
A Redação - Seu disco de estreia lhe rendeu bons frutos. Foram várias indicações a prêmios e conquistas nos rankings especializados dos melhores discos daquele ano. Agora você está em turnê com seu segundo álbum, "Longe de Onde". É difícil lançar um novo trabalho depois de outro tão bem sucedido? Dá um frio na barriga?
Karina Buhr - O frio na barriga é totalmente no sentido do disco mesmo, uma coisa boa de se sentir em relação a um trabalho novo, mas jamais por conta de cobrança externa ou algo assim. Esse tipo de reconhecimento é massa, faz mais pessoas conhecerem meu som, o show rodar mais, mas não me pauto por isso para fazer minhas músicas, nem meus shows. Faço porque gosto e torço para um monte de gente gostar, mas não mudo nada nele por conta disso, nem fico louca pra saber se vou passar por média na opinião geral.
 
O "Longe de Onde" traz letras e melodias mais agressivas. Foi essa a intenção?
Engraçado, eu não acho. Acho que os dois discos tem algumas letras e melodias mais agressivas e outras mais calmas. "Avião Aeroporto", "Soldat", "Nassíria e Najaf", "Telekphonen" são todas do primeiro disco e são bem agressivas em vários sentidos diferentes. Mas o "Longe de Onde" é mais pesado nos arranjos, sim, porque foi uma vontade minha mesmo, de passar para esse disco um peso que conquistamos nos shows. Convidei de novo Mau [baixista da banda] e Bruno Buarque [baterista da banda] para produzirem comigo o segundo disco. Foi natural esse caminho, porque é uma comunicação, um ponto de vista comum da gente também, então não precisou de nenhum esforço extra, além de trabalhar muito para ver o disco prontinho.
 
Como é o seu processo criativo? Você é do tipo de pessoa sentimental, que cria a partir de emoções do momento, ou do tipo racional, que leva tempo para chegar ao resultado final de tanto pensar e repensar a criação?
As duas coisas [risos]. Crio a partir das coisas que vivo, das coisas que sinto e depois fica tudo ali um tempo, maturando. Eu corto, colo, mudo finais, acrescento começos...
 
Como você lida com as comparações que fazem a seu respeito? Por exemplo, a MTV americana se referiu a você como uma "Patti Smith brasileira" e alguns críticos musicais disseram que o "Longe de Onde" lembrava um pouco Os Mutantes. Você gosta dessas coisas ou acha incômodas?
Acho maravilhoso isso! Porque comparações acontecem sempre que uma pessoa quer tentar explicar para outra, que não conhece um som, o que ele lhe lembra, ou elementos que ele tem que outro som também tem. Então só posso achar muito bom Patti Smith e Rita Lee ou Os Mutantes entrarem na minha sopinha de opiniões alheias [risos].
 
No Prêmio Bravo!, você foi finalista da categoria "Melhor Show", disputando o troféu com Gal Costa e Marisa Monte. Como é estar no mesmo patamar de artistas veteranas tão importantes para a história da música brasileira?
Foi uma emoção bem grandona. Normalmente vejo prêmios de um jeito mais frio, fico feliz, mas não me sinto o máximo por conta deles. Dessa vez também não, mas claro que fiquei muito emocionada de estar do lado de duas pessoas fundamentais para mim e para música brasileira como um todo. E de épocas tão diferentes da minha vida.
 
Você tem - ou teve na infância ou adolescência - ídolos em quem se espelhar e inspirar?
Não digo me espelhar, porque procuro sempre a minha verdade, o que eu tenho de particular para dizer, para mostrar, para sentir, e não fico tentando um caminho parecido com o dessa ou daquela pessoa. Mas inspiração vem de todos os lados! O carnaval de Pernambuco é a minha inspiração maior, em todos os sentidos. E a música brasileira toda. Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Rita Lee, [Gilberto] Gil, Paulinho da Viola e um monte de gringo também, como Sex Pistols, Velvet Underground e Kraftwerk.
 
Pernambuco é um estado muito rico culturalmente e, talvez por isso, lançou várias personalidades importantes para o país, sejam cantores, escritores, jornalistas, atores, enfim. Você leva consigo a bandeira do seu estado e de sua cultura original ou prefere não ser rotulada como regionalista?
Bandeira eu levo a da liberdade total de bandeiras. Não acho que tem a ver com território, mas com o juízo livre. E o que trago de lá, amo e sempre vai estar comigo, como os ritmos que aprendi a tocar nos meus tambores, como o jeito de dançar várias coisas. O que existe de tradicional na música, nas artes de cada lugar é precioso e é tão precioso quanto as individualidades. Ser de Pernambuco não significa ser regionalista, isso faz parte do pacote preconceituoso que abomino. Isso não significa de jeito nenhum abominar o lugar de onde vim, pelo contrário, exalto ele e muito.
 
Sobre as roupas e maquiagens extravagantes que você gosta de usar, elas são uma preocupação estética ou, ao contrário, uma crítica aos modelos vigentes?
Eu, quando penso em uma roupa ou uma maquiagem para o show, não penso nisso me comparando com outras pessoas. Então não vejo como crítica a modelos. Gosto de uma roupa que seja confortável, para eu poder pirar no show, pular, me jogar no chão. Tenho gostado muito de maquiagens fortes, mas isso também pode virar outra coisa. Posso encher o saco de me enfeitar tanto [risos]. Visto algo que eu ache bonito também, mas pode ser que daqui a um tempo eu ache mais bonito um vestido branco. Difícil vai ser fazer ele terminar o show branco [risos].
 
É a primeira vez em Goiânia? Como você imagina a cidade?
Sim, e o Goiânia Noise, assim como vários outros festivais brasileiros, é sonho antigo meu. Acompanho o evento há tempos e adoro a ideia de ir tocar nele, como adoro a ideia de ir tocar em uma cidade que nunca pisei. Provavelmente não vou conhecer a cidade além do festival, então penso que vou achar Goiânia bem rock and roll [risos].
 
Você vai tocar o "Longe de Onde" na íntegra?
Não na íntegra, porque pelo tempo de show não daria. Em festivais, os shows são mais curtos pela quantidade de bandas, mas vou tocar grande parte dele e também algumas músicas do "Eu Menti Pra Você".

Veja abaixo o clipe da música "Cada Palavra", faixa que abre o disco "Longe de Onde":


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