Pela 5ª vez o mais influente da web em Goiás. Confira nossos prêmios.

Sobre o Colunista

Sarah Mohn
Sarah Mohn

É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

Meias verdades

O problema não é Segurança Pública, mas nossa pobreza cultural

| 21.03.17 - 12:36  
Goiânia – Vou começar esse texto direto ao ponto: o problema não se restringe à Segurança Pública. O que vivemos hoje no Brasil é crônico e tem duas raízes: a falta de educação básica e a pobreza cultural da população.
Para alguns pode parecer um baita clichê o que estou dizendo, mas está cada vez mais insustentável fingir que não estamos dentro de uma crise e evitar o debate sobre os fatores que aumentam a cada dia a violência e a criminalidade no país.
 
Precisamos falar sobre o mal que toma conta dessa sociedade, que é estrutural e vai muito além da necessidade econômica das pessoas.
Escrevo esse texto muito revoltada, porque hoje fui vítima de um furto. Sou mais uma entre milhões de brasileiros que passam por essa merda de situação todos os dias, eu sei. Mas essa é outra conclusão que me deixa p da vida. É um absurdo saber que eu sou mais um índice que só aumenta nas estatísticas, nunca diminui, e que nada tem sido feito DE VERDADE para nos dar esperança de que esse país vai melhorar.
 
Ao longo dos anos, fui vítima de assalto em sinaleiro com canivete no pescoço, furto de celular em festa, roubo de celular na rua da academia e furto de som de carro estacionado na porta do prédio. Mas, hoje, eu fui vítima de – pasmem – furto da garrafinha de água que deixei no parque antes de começar a corrida.
 
Gente do céu, a que ponto chegamos no Brasil? As pessoas são tão culturalmente miseráveis e tão mal educadas que se tornam incapazes de perceber o básico: é errado tirar de alguém algo que não lhe pertence. Até mesmo um objeto sem valor monetário algum está sendo furtado de seu dono! Foi levada de mim uma garrafinha de água usada, feinha e estampada com propaganda.
 
Da primeira pessoa que contei o ocorrido, eu ouvi uma tentativa de alento: “mas é só uma garrafinha”. E para ela eu respondi: até quando vamos nos acostumar a ser furtados, roubados, assaltados e tentar amenizar esse tipo de violência? Se depender de mim, até nunca! Eu não vou aceitar ser desrespeitada por quem não tem a mínima condição de viver em sociedade.
É revoltante, mas é, principalmente, triste demais ter a certeza absoluta (!) de que vivemos em uma sociedade marginalizada e formada por pessoas que não respeitam minimamente as regras de convivência social.
 
Outro ponto que assusta é que os bandidos não se intimidam mais com a luz do sol. O episódio comigo aconteceu cedinho, antes das 7 horas da manhã. Até há pouco tempo, lidávamos com uma violência menos escancarada, que se escondia no submundo do crime e mostrava sua face de forma mais velada. Mas é fato, isso mudou. Estamos à mercê da criminalidade a qualquer momento.
 
Refletindo sobre essa palhaçada toda – porque só nos falta o nariz de palhaço – eu concluí o seguinte: não adianta colocar a culpa pelo aumento da criminalidade somente na deficitária Segurança Pública desse país.
Sabemos que o governo federal lava as mãos e não investe um centavo na área, já que a prerrogativa constitucional é dos estados, que por sua vez alegam não terem recursos suficientes para suprir as demandas que lhes cabem. Todavia, não é somente para esse ciclo vicioso que as autoridades precisam olhar.
 
Quando é que os governos vão começar a investir pesado em Educação e Cultura? Quando é que essas duas áreas vão ser vistas como a única saída para mudar o país? E onde está aquela proposta de lei que exigiria que os filhos de todos os políticos no exercício do mandato deveriam estudar em escolas públicas? É uma pena se tiver sido arquivada. Talvez esse fosse um bom começo.
 
Um povo educado e culto é incapaz de cometer infrações, pois teme muito mais o peso de sua consciência do que do porrete nas mãos de um policial. Não é à toa que, quando visitamos países de primeiro mundo, ficamos tão encantados com a realidade deles e nos sentimos tão seguros ao andar nas ruas. É porque, em qualquer lugar do mundo, educação continua sendo mais eficaz que repressão.

Comentários

Clique aqui para comentar
Nome: E-mail: Mensagem:
  • 21.03.2017 14:55 Declieux Crispim

    Belo texto. Conseguiu traduzir aquilo que penso, mas que, às vezes, fica entalado na garganta.

Sobre o Colunista

Sarah Mohn
Sarah Mohn

É jornalista graduada pela UFG e especialista em Comunicação Empresarial e Publicidade Estratégica. Nesta coluna, escreve artigos de opinião / sarahmohn@gmail.com

Envie sua sugestão de pauta, foto e vídeo
62 9.9850 - 6351