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Rodrigo  Hirose
Rodrigo Hirose

Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia / rodrigohirose@gmail.com

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De Stálin a Zuckerberg

| 13.09.16 - 18:02
Big Brother, ainda que por motivos errados, é provavelmente a entidade mais célebre imaginada pelo escritor britânico George Orwell. No romance 1984, que faz dupla com Revolução dos Bichos na denúncia ao totalitarismo, particularmente o soviético, o Grande Irmão representava a vigilância constante, aquele que está sempre “de olho em você”.
 
Na fábula orwelliana, Winston Smith é o burocrata do Ministério da Verdade responsável por reescrever o passado de acordo com os interesses do governo tirânico do pós-guerra fictício. O contexto era claramente inspirado no regime instaurado na então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
 
A URSS fora transformada por Josef Stálin em uma poderosa máquina de adulteração histórica. Uma das técnicas notórias era o retoque de fotografias. Aos poucos, antigos camaradas, transformados em desafetos, desapareciam das imagens ao lado do ditador.
 
Os tempos mudaram. Em 2016, mais que qualquer governo, são as grandes corporações que exercem o papel do Grande Irmão, contando com nossa subserviente colaboração. Google, Facebook, Apple, Samsung, Netflix... Todas sabem muito mais de nós que o mais ambicioso ditador sonharia.
 
A diferença é que os mecanismos de controle e manipulação são mais sutis que a truculência empregada pelos governos ditatoriais. As polícias políticas e os Departamentos de Propaganda saem de cena e dão lugar aos algoritmos e termos de uso. A submissão agora é voluntária.
Recentemente, o Facebook deu exemplo de pretensa onipotência ao censurar uma das imagens mais representativas do século passado: a foto da menina Kim Phuc feita pelo fotógrafo Huynh Cong durante a Guerra do Vietnã.
 
A rede de Mark Zuckerberg pediu desculpas, alegou ser complicado diferenciar uma foto histórica de uma imagem de pornografia infantil em meio à miríade que chega aos seus servidores diariamente. Contudo, o caso só comprova que verdadeiramente a história sempre se repete, ora como tragédia, ora como farsa.
 

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