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Wolney Unes
Wolney Unes

Professor da Universidade Federal de Goiás / outradoportugues@gmail.com

Pela cidade

O filho do mascate

| 06.08.16 - 19:43
 
Goiânia Cerimônia de abertura das Olimpíadas, sexta à noite. Ali por volta das onze da noite, me escreve uma mensagem um amigo do exterior. Emocionado, dizia ter adorado o espetáculo. Disse, entre outras, que são essas manifestações que renovam a confiança na espécie humana, e por aí afora.
 
Concordo com ele: de fato, a arte e a cultura são nossa grande salvação. No nosso caso brasileiro, dificilmente seremos uma nação reconhecida pela habilidade de construir instituições políticas fortes, por nossos modos de produção econômica inovadores, pelo respeito democrático e nas relações urbanas, por nossas grandes pesquisas científicas. Nada disso, o que marca e deve continuar marcando a civilização brasileira são a arte e a cultura. E, é claro, a incrível capacidade de fazer a conjunção de culturas tão distintas, oriundas de quatro continentes.
 
No finalzinho de sua mensagem, meu amigo lembrou ainda outra coisa, perguntando admirado: "Há 7 milhões de libaneses e descendentes vivendo no Brasil? Mas nunca ouvi falar em conflitos raciais e religiosos por aí!" E termina sua mensagem desejando "jogos emocionantes e pacíficos".
 
Meu amigo vive na Áustria, não sei o que o narrador disse na transmissão lá do país dele. Mas só temos a confirmar a percepção do jornalista: ao lado dos primeiros habitantes, há milhões de libaneses e descendentes vivendo por aqui, junto a milhões de descendentes de alemães, italianos, ucranianos, polacos, japoneses e por aí afora. E aqui há um dado pouco lembrado: o presidente interino, Michel Temer, entra nessa conta, já que é parte justamente desse contingente de imigrantes libaneses.
 
Na verdade, Temer é o primeiro desse grupo de imigrantes alçado à Presidência da República. Já tivemos filhos de italianos (Médici), de alemães (Geisel), portugueses e por aí afora. Não sei se convém incluir filhas de búlgaros nessa conta, mas, dos grandes grupos imigrantes, faltam ainda representantes de japoneses e libaneses. Pois de libaneses não falta mais.
 
Logo que o presidente interino tomou posse, há alguns meses, a mídia parece nem ter se dado conta dessa peculiaridade – pudera, em meio a tantas controvérsias! Entre outros debates institucionais e jurídicos, a mídia preferiu condenar a falta de garotas em sua equipe.
 
É claro que queremos ainda outras mulheres, muitas mais, na Presidência, mas também como governadoras, prefeitas, em todos os postos. E haverá de chegar ainda o dia de termos presidentes negros, descendentes de caiapós, nhambiquaras, entre muitos outros.
Mas neste momento, a abertura das Olimpíadas nos lembra o que deixamos passar na posse do presidente interino, filho de imigrantes libaneses.
 
Em meros cem anos, o filho de mascates chegou ao posto mais alto da República, numa trajetória no mínimo espetacular, aproveitando a incrível oportunidade que imigrantes tiveram e têm por aqui. São poucos os lugares do planeta em que a primeira geração de imigrantes tem a real possibilidade de conseguir tal façanha. Que venham os jogos!

Comentários

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  • 24.10.2016 10:43 Othaniel Alcântara

    Muito Bom caro amigo!

  • 08.08.2016 11:16 Tereza Cristina Pinheiro

    Excelente!!!!

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