Eu não gosto da treta, a treta é quem gosta de mim
Tem uma música do Marilyn Manson que trata sobre uma coisa engraçada. Ela se chama I don’t like the drugs (but the drugs like me) e fala sobre a circunstância em que você foge de determinada coisa, mas parece que a coisa sempre vem para o seu rumo e não existem condições de negá-la. Você pode ver o vídeo da música nesse link. É da fase mais glam da carreira do cara e qualquer lembrança de Fame, do David Bowie, não é mera coincidência (veja se estou errado nesse link). Juro que me lembrei desse som quando vi a treta em que o Adriano se meteu nesse último final de semana.
O atacante corintiano é reincidente nesse tipo de confusão que ainda carece de mais explicações. E o pior é que parece que foi tudo um baita de um mal entendido, com uma péssima ideia de brincarem com uma arma enquanto existia ebriedade de sobra no carro do Imperador. O engraçado é que isso não acontece com o Kaká, por exemplo. Agora, quando se trata de Adriano, Marcelinho Paraíba, Vagner Love, Ronaldão... é quase certo que a história vai pegar um caminho que invariavelmente termina na delegacia.
E fico imaginando a aflição do torcedor corintiano, que tem um time campeão carente de ídolos – lacuna que o Adriano jogando o que sabe e com o carisma inegável que tem ocuparia com louvor. A cada treta em que o cara se mete, o torcedor faz a conta da relação custo-benefício que envolve o atleta. Até agora, ele só se mostrou decisivo naquele importante gol contra o Atlético Mineiro. Fora isso, foi muito dinheiro na conta do cara para pouca bola dentro de campo. E, para completar, a equação que martela a cabeça do torcedor do Parque São Jorge, com confusões extra campo dignas de abalar a convicção de qualquer pai de família.
Adriano honra uma linhagem profícua do futebol brasileiro. Craques que sobram dentro de campo e não negam seu sangue boêmio fora dele, com confusões fartas quando misturam álcool, fama, mulher e inconsequência. Garrincha, Serginho Chulapa, Renato Gaúcho, Edmundo... são muitos os nomes dos quais Adriano é herdeiro legítimo. Gente que tinha um ímã natural para a treta. E parece que nesses clubes de perfil popular, como é o caso do Corinthians, a história ganha contornos de drama ainda mais intensos pela própria história de saga que envolve o time. O papel fica perfeito.
Para alguém como eu que olha de fora, gosta do futebol do Adriano e não tem a menor paciência para o moralismo que cresce na sociedade, torço para que o cara dê a volta por cima, se livre dessa nova enrascada e conquiste seu lugar no panteão dos ídolos corintianos. Com treta ou sem treta, o que a torcida quer ver é gol. E isso Adriano pode fazer. Muitos.
Comentários
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29.12.2011 11:28 Por jose rubens
Meu amigo, por que voce não usa este espaço pra dizer coisas mais interessantes do que falar da vida de "celebridades"? Puxa, tem um livro aí na praça que tá dando o maior bafafá no meio político (A Privataria Tucana) e voce não sei desse pseudo jornalismo! Aliás, não é só voce, é todo este jornal. Tenha dó!!!
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28.12.2011 11:20 Por Paullo Di Castro
"O engraçado é que isso não acontece com o Kaká, por exemplo." Esse imã natural nada mais é que o magnetismo somado daquilo que a sociedade aponta que eles são, e o que eles acham que são. Perdem os valores mais importantes de um ser humano em troca dos "prazeres" oferecidos por fama e dinheiro. Se o cara não é centrado, vive se lascando mesmo. Torço também pra que dê a volta por cima, mas se ajudar, que é o mais importante, isso não fazem.


Pablo Kossa



