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Renato Conde

Fotos, vídeos e os excessos

| 23.03.17 - 11:36
Goiânia - Por que fotografamos tudo e todos? A fotografia existe há mais de um século e talvez desde os tempos de Adão e Eva, quando tudo era registrado na memória com a primeira lente criada: o próprio olho humano. Surfando na onda de uma geração que tudo registra, filma e divulga, passamos a ser os olhos do mundo. E nos sentimos assim, importantes, relevantes, dignos de mostrar tudo a todos, respeitando ou não a privacidade alheia. 
 
Somente no aplicativo de mensagens mais usado no mundo, o WhatsApp, mais de 3,3 bilhões de fotos são compartilhadas por dia. Além dos 760 milhões de vídeos e 80 milhões de GIFs que se somam às 50 bilhões de mensagens enviadas diariamente. São cliques e mais cliques que chegam a nós todos os dias. São registros que nos fazem participar de acontecimentos cotidianos que muitas vezes passam despercebidos por grande parte de pessoas que estavam, inclusive, presentes naquele momento.
 
O que impressiona é o número de compartilhamentos e a velocidade da troca de informações, muitas vezes falsas ou que se restringem à intimidade de outras pessoas. Ainda há (e muito) pessoas que não pensam duas vezes em compartilhar certos conteúdos, mesmo sabendo que aquela foto ou vídeo vai prejudicar alguém ou que passar aquele material pra frente pode ser, inclusive, crime.  
 
Momentos que devem ser lembrados com alegria, registros de momentos felizes, se perdem nesse oceano de informações negativas. Tragédias têm mais espaço em qualquer cartão de memória, é natural. Mas temos que refletir sobre isso. O próximo alvo pode estar grudado em nossas costas e o prejuízo pode ser irreversível. 
 
Casos como o do cantor goiano Cristiano Araujo e de tantos outros tão trágicos foram compartilhados sem pudor. Foram fotos e mais fotos, vídeos e mais vídeos exibidos uma, duas, milhões de vezes. Você certamente vai se lembrar de outras situações. Foram tantas que até mesmo o celular não suportaria. Casos de fotos íntimas vazadas têm se tornado cada vez mais comuns, nem a Lei Carolina Dieckmann tem conseguido barrar. Lamentavelmente são registros assim que ganham o mundo em segundos. Um absurdo. 
 
E para piorar, quase nunca somos consultados se queremos ou precisamos participar de tal assunto. Apenas somos inseridos em conversas, grupos e discussões intermináveis. Será que todos nós realmente estamos interessados e dispostos a entrar em certas "discussões"? Acredito que não. 
 
Pessoas que estão ao nosso redor são mais interessantes, têm mais histórias, têm mais vida. Um celular descarrega, a internet acaba e nós também só estamos de passagem. Com uma pequena diferença, nosso legado não acaba em 24 horas.



* Renato Conde é fotógrafo e chefe do Núcleo de Imagem do Gabinete de Imprensa do Governador de Goiás

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