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Itami Campos

Trabalho em questão

| 02.05.18 - 12:32
 
Goiânia - O trabalho foi determinante para a construção do que veio a ser conhecido por mundo moderno. Foi o trabalhador, nas condições precárias das fábricas, que tornou possível o desenvolvimento do modo de produção capitalista. A Revolução Industrial teve sempre no trabalho as condições do seu avanço, embora a tecnologia tenha sido importante para a produtividade e para expansão do mercado. Neste sentido, o fordismo e o taylorismo, padronizando o sistema de produção, tornou possível a produção em massa. O modelo de produção, inicialmente realizado na indústria automobilística, foi reproduzido em muitas outras indústrias com produção em massa e expansão do consumo na chamada sociedade de massa.
 
No pós-segunda guerra, a economia capitalista se reorganizou e cresceu, mesmo com a Guerra Fria, talvez por ela, a Europa se reorganizava e a produção ampliava, o Japão crescia, os Estados Unidos da América se tornava potência. Contudo, nos anos 1970 o capitalismo entra em crise. Daí, aconteceram mudanças que afetaram sobremaneira o mundo do trabalho. As economias dos países desenvolvidos procuravam se adequar alterando as condições de produção, também a regulamentação do trabalho. Outra alteração havida foi no modelo de produção - o fordismo e o taylorismo, forma de produção adotada quase universalmente, não respondia às exigências necessárias à superação da crise, da perda de mercado e da redução do ganho do capital. Uma das alternativas apresentou-se com o toyotismo, que se apresentava como nova forma de produção, que entre outras alterações no processo produtivo, reduz e requalifica a mão-de-obra.  
 
Nas décadas seguintes, 1980/1990, novas alterações acontecem na economia, com os avanços tecnológicos e a revolução das comunicações, tornando possível a mundialização do mercado. Essa mundialização, conhecida por globalização, acentuou as mudanças nas relações de trabalho. A automação, a robotização e a microeletrônica ocuparam o espaço da fábrica, provocando mudanças acentuadas nas relações de produção e no mundo do trabalho. Uma das consequências da transformação na economia mundial é a tendência do ‘desemprego estrutural’, com a terceirização, o trabalho parcial, temporário e expansão das condições de precariedade do trabalho. Na forma como o capitalismo mundializa e se expande a regulamentação do trabalho e os direitos trabalhistas tendem a serem alterados, com evidente perda de direitos e de vantagens. 
 
Na busca do lucro, a produção se desloca para onde o custo da mão de obra é mais vantajosa, onde as condições políticas ofereçam vantagens, principalmente onde os sindicatos tenham menos força. Prognostica-se a sociedade do ócio, sugere-se a redução da carga semanal de trabalho e o aumento do tempo para o lazer, embora se diga da qualificação do trabalho, fator da expansão da automação e da robotização. 
 
As alterações no mundo do trabalho estão acontecendo e caminham para mudanças acentuadas com o avanço das tecnologias na robótica, na automação, na informática, mudanças produzidas pela dinâmica do capitalismo, contudo, o trabalho e o trabalhador devem ter seu espaço, pelas próprias condições da produção e do lucro, pois o robô não consome...
 


*Itami Campos é cientista político, escritor e membro da Academia Goiana de Letras (AGL) e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás

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